CDU recebe primeira conta por escândalo financeiro: US$ 20,6 mi
Berlim, 15 (AE-AP) - Envoldida em rumoroso escândalo financeiro, a União Democrata-Cristã (CDU), maior partido de oposição da Alemanha, foi condenada hoje (15) pela Presidência do Parlamento alemão a pagar multa de 41,3 milhões de marcos - o equivalente a US$ 20,6 milhões.
"As falsidades contidas nas contas da CDU referentes ao exercício de 1998 são consideráveis", disse o líder social-democrata Wolfgang Thierse, presidente do Parlamento, ao justificar a aplicação da multa - a maior da história política do país de pós-guerra.
Segundo Thierse, a CDU não incluiu no relatório 18 milhões de marcos (cerca de US$ 9 milhões) que ingressaram secretamente nos cofres do partido no Estado de Hesse, "contrariando as normas vigentes".
A liderança oposicionista acusou Thierse, do governante Partido Social-Democrata (SPD), de pretender tornar a CDU econômicamente inviável. "Esse castigo ameaça a existência da agremiação", reagiu o tesoureiro da CDU, Mathias Wissmann. "Vamos recorrer à Justiça", emendou a secretária-geral Angela Merkel.
Tanto o SPD quanto o Partido Liberal (FDP) saíram em defesa de Thierse. "A CDU não é vítima, é autora e tem de assumir as consequências de suas violações permamentes da lei de financiamento dos partidos políticos", retrucou o líder da bancada social- democrata no Parlamento alemão, Peter Struck.
Por sua vez, o secretário-geral do FDP, Guido Westerwelle, acrescentou: "Se os cidadãos violam as leis, têm de assumir as consequências; o mesmo vale para os partidos."
Em novembro, o ex-chanceler democrata-cristão Helmut Kohl estarreceu o país e o mundo ao admitir ter criado contas secretas durante os 25 anos em que presidiu a CDU para recolher "doações políticas" à agremiação de pessoas ou empresas que queriam permanecer no anonimato.
Pai da unificação alemã e chefe de governo durante 16 anos, Kohl lamentou ter violado a lei ao não declarar tais ingressos, mas negou-se categoricamente a revelar a identidade dos doadores. "Sou um homem que honra a palavra, não vou quebrá-la em nenhuma hipótese", vem repetindo ele desde então.
Segundo algumas estimativas, as contas secretas da CDU no Exterior movimentaram recursos superiores a US$ 40 milhões. Kohl confessou não ter declarado o ingresso de US$ 1,3 milhão nos cofres do partido, em 1993. Parte dessa soma (US$ 500 mil) teria sido depositada, como comissão, por um negociante de armas, que intermediou um contrato de venda de 30 tanques alemães para a Arábia Saudita.
"A CDU está atravessando a pior crise de sua história", lamentou a secretária-geral Angela Merkel. Segundo ela, o partido é punido em nível nacional por uma irregularidade cometida no Estado de Hesse. "É um castigo de extrema dureza."
Contudo, o presidente do Parlamento, Wolfgang Thierse, disse que esse é apenas o começo. "Uma série de novas sanções serão aplicadas", adiantou, contestando as acusações de que pretende aniquilar a oposição. "Estamos aplicando a lei, nada mais."
Os especialistas acham que se a lei for aplicada com todo rigor, a CDU terá de arcar com multas que superam os US$ 200 milhões. "A lei prevalece sobre a palavra de honra", concluiu Thierse, referindo-se à insistência de Kohl (processado judicialmente) em não revelar a origem dos "donativos" irregulares.





