Berlim, 20 (AE-AP) - Quebrando tabu num partido de patriarcas, Angela Merkel, "filha da Alemanha Comunista", candidatou-se hoje (20) à presidência da União Democrata-Cristã (CDU), da qual é secretária-geral.
"Parece-me inacreditável que eu possa ter sido nomeada com o total apoio da liderança partidária", disse Merkel. "Esta é uma parte da reunificação da Alemanha que até recentemente não imaginava que poderia viver".
Merkel, de 45 anos, é a primeira mulher a concorrer à presidêndia da CDU, partido que elegeu chanceler da Alemanha quatro de seus sete presidentes - Konrad Adenauer, Ludwig Erhard, Kurt Georg Kieseinger e Helmut Kohl.
Ela não enfrentará desafio na convenção de abril, quando deverá ser confirmada como presidente do partido.
O perfil de Angela Merkel é considerado atípico pelos analistas de política do país: não só pela condição de mulher como também pela biografia construída na maior parte na ex-Alemanha Orienta (RDA). Ela nasceu em Hamburgo, em 1954, mas foi levada com apenas algumas semanas para o território controlado pelos comunistas pelo pai, um pastor protestante.
Apontada pelos amigos como "aluna exemplar", Merkel formou-se em Física, levando uma vida discreta. Casou-se e logo separou-se do marido. Ingressou na política no ano da queda do Muro de Berlim, em 1989, integrando o movimento Despertar Democrático. Foi porta-voz do governo de Lothar Maiziere, o último da ex-RDA. Em 1990, filiou-se à CDU e, como apadrinhada de Kohl, ocupou o cargo de ministra da Família. Mas ganhou projeção no recente escândalo de financiamentos ilegais da CDU, quando pediu o afastamento de Kohl, principal envolvido, e exigiu reforma total nos quadros do partido.

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