CCJ do Senado aprova comandante militar do Leste como ministro do STM
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 06 (AE) - A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou hoje o nome do comandante militar do Leste, general José Luís Lopes da Silva, para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar (STM). O general foi o comandante da operação de desocupação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), em 1988, que resultou na morte de três operários. Durante a sabatina, vários senadores criticaram o presidente Fernando Henrique Cardoso pela nomeação do general.
"A incompetência política e a inabilidade do governo são inexplicáveis" disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Na avaliação do senador, o próprio Fernando Henrique Cardoso traz o problema novamente à tona, ao nomear o general para assumir o cargo de ministro do STM.
Simon declarou antes da votação que se absteria de votar. Entre os 16 senadores que votaram, 12 aprovaram o nome do general, três votaram não e um votou em branco.
O clima de constrangimento ficou visível na sabatina quando o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) disse que o general José Luís Lopes da Silva agiu com "impaciência" durante a operação em Volta Redonda. O senador achou "incompatível" o cargo de ministro do STM com um currículo que inclui operação que levou à morte de três operários.
O general, que em 1988 era comandante da 1ª. Brigada de Infantaria Morotizada de Petrópolis, respondeu ao senador Carlos Valadares que sua ação em Volta Redonda não foi um fracasso. "Sob o ponto de vista militar foi plenamente bem-sucedida", disse. O general afirmou que a "paciência foi enorme" e que o "radicalismo" ocorreu do lado dos sindicalistas. O general revelou aos senadores que o então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, considerou uma "afronta" os sindicalistas levantarem um monumento em homenagem aos operários mortos, em Volta Redonda.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que saiu da sabatina com os olhos lacrimejando, se mostrou emocionado ao discursar na CCJ. Suplicy anunciou que votaria contra a indicação do general por acreditar que isto serviria de "lição" para "evitar que operários possam ser motos" ao reivindicar "melhores condições de vida".
Um dos senadores que mais discursou claramente em defesa do general foi José Agripino (PFL-RN). O senador disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso "deve ter refletido" sobre todos os problemas que aconteceram antes de indicar o nome do general para ministro do STM. Na avaliação do senador, Fernando Henrique "adotou a postura de quem não esconde lixo debaixo do tapete" ao nomear o general.
O general José Luís Lopes da Silva, ao conhecer o resulltado da votação que aprovou seu nome para o cargo de ministro do STM, sorriu muito. A um amigo, o general xingou de "f.d.p." algumas pessoas que supostamente tentaram prejudicar-lhe e não quis dar entrevistas.


