CBN contesta parlamentar e nega pressão na demissão de jornalista
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 26 (AE) - A Rádio CBN está contestando as informações levantadas ontem no plenário da Câmara pelo líder do PT, José Genoíno (SP), em relação à demissão do jornalista Valdeci Rodrigues. Genoíno cobrou explicações do líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), depois de ser informado de que a demissão teria ocorrido "por pressão do Banco do Brasil, que patrocina aquela rádio". Em nota assinada pelo gerente-executivo da Rede CBN, Albert Alcouloumbre Jr, a emissora afirma que a demissão se deu "por razões administrativas" e que "não aceita - e nunca aceitou - qualquer tipo de interferência ou pressão externa no que diz respeito à gestão do seu negócio e, principalmente, do seu jornalismo".
A nota da emissora afirma ainda que "a CBN não mantém no momento qualquer relação comercial com o Banco do Brasil" e "repudiará qualquer tentativa de envolvê-la em disputas políticas". A demissão do jornalista chegou a ser discutida ontem em uma reunião da bancada do PSDB com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. O assunto também foi levado ao conhecimento do presidente Fernando Henrique Cardoso pelo líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
Os parlamentares ficaram intrigados porque foram informados de que a demissão teria acontecido depois que o jornalista levou ao ar denúncia de um representante de sindicato rural do interior de Goiás. O sindicalista, participante do "caminhonaço" dos produtores rurais, afirmou que os gerentes do Banco do Brasil liberam crédito rural para os grandes produtores mediante pagamento de propina.
Em nome da liderança do governo na Câmara, o vice-líder Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) disse na sessão de ontem que, se houvesse provas de pressão feita por funcionários do Banco do Brasil, ele assumiria o compromisso de cobrar a demissão desse funcionário.


