São Paulo, 11 (AE) - O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Luís Roberto Ponte, quer cobrar pessoalmente do presidente Fernando Henrique Cardoso os pagamentos em atraso do governo junto às contrutoras. Segundo ele, esse atraso já chega a mais de cinco meses em algumas obras
principalmente às ligadas ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), que somam cerca de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões. "O governo vive falando em honrar compromissos, mas ele mesmo não cumpre os seus", critica Ponte. "Se ele (o governo) não paga as suas dívidas em dia como pode querer que o Itamar (Franco) o faça?", questiona.
De acordo com o presidente da CBIC, o valor da dívida da União com as construtoras não é relevante para o governo, mas significa muito para as pequenas empresas. "Só as obras financiadas pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) estão com as contas em dia, já que a liberação do dinheiro está condicionada ao cumprimento do pagamento das construtoras", diz Ponte.
Essa e outras questões já foram colocadas pelo presidente da CBIC ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, durante encontro ocorrido nesta semana, em Brasília. Além das dívidas do governo, foram abordados temas conjunturais como juros, inflação e aumentos abusivos de preços. Ponte informou que a CBIC sugeriu ao ministro Lafer, como forma de conter os reajustes, que o governo suspenda os financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para empresas que aumentarem seus preços de forma abusiva. Ponte espera encontrar-se com Fernando Henrique nos próximos dias.
Durante esta semana, Ponte se reuniu ainda com o presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai. No encontro, conta Ponte, o presidente da Caixa acenou com a possibilidade de flexibilizar e aprimorar alguns planos de financiamento habitacional da Caixa, baseados na demanda caracterizada, isto é, aqueles em que as construtoras precisam comercializar 60% das unidades da obra antes de receber o financiamento. A reivindicação do setor é que a Caixa abra uma linha de financiamento direto ao construtor.
Hoje os financimentos são concedidos apenas ao consumidor. Segundo Ponte, a CBIC está estudando a viabilização de um selo de garantia, que tem como objetivo diminuir os riscos para o agente financeiro. Esse projeto, explica Ponte, terá a participação de seguradoras, agentes de controle de fluxo de capital e várias entidades ligadas ao setor da construção.

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