Cavallo, o pai da convertibilidade
Buenos Aires, 23 (AE) - "Pai da convertibilidade econômica" é o título preferido de Domingo Felipe Cavallo, de 53 anos. Cordobês da cidade de San Francisco, Cavallo formou-se na Universidade de Córdoba e mais tarde tornou-se PhD pela Universidade de Harvard. Criou a Fundação Mediterránea, centro de pensadores econômicos que dominaram durante anos a intelectualidade econômica do país.
Durante a ditadura, foi subsecretário técnico do Ministério do Interior. Em 1982 foi presidente do Banco Central. Enquanto o general Leopoldo Galtieri invadia as Ilhas Malvinas, Cavallo tomava uma medida que mais tarde seria polêmica: a estatização da dívida externa do setor privado.
Em 1983, ofereceu ao recém-empossado Raúl Alfonsín sua proposta de política econômica. Foi recusado, fato que não esqueceu. Seis anos depois, nos últimos meses do mandato de Alfonsín, encarregou-se de criticar a política econômica de forma a causar o colapso do governo.
Aliado a Menem, foi primeiro chanceler, depois ministro da Defesa e, finalmente, ministro da Economia. Ficou famoso no mundo inteiro quando aplicou, em 1991, o plano de conversibilidade econômica, que liquidou a inflação argentina, criou a paridade 1 por 1 entre o dólar e o peso, e levou à privatização do imenso aparato estatal do país.
O protagonismo do ministro, transformado quase em herói por ser "el matador" da inflação, começou a incomodar Menem, que nunca soube partilhar o papel principal do espetáculo político. Cavallo começou a ser cotado para presidente. A partir daí, iniciou o confronto com Menem. Em 1996, saiu do governo batendo a porta e acusando o presidente de conivência com as máfias.
Seu principal alvo foi o empresário Alfredo Yabrán, que Cavallo denunciou como coordenador da maioria dos grupos mafiosos do país. O ex-ministro juntou suas denúncias em um livro - O Peso da Verdade -, no qual aproveitava para defender a paridade dólar/peso e fazia um ácido retrato das ambições dos integrantes do governo Menem.
Cavallo não ficou quieto. Criou partido próprio, o Ação pela República, e lançou-se candidato a presidente. Nos últimos meses adquiriu jogo de cintura no contato com o povo e na semana passada incorporou toques "peronistas" ao definir-se como "representante dos descamisados".
As pesquisas põem-no em terceiro lugar. Sem pressa, ele mesmo afirma que é jovem e seu momento ainda chegará. Por enquanto, contenta-se em ser o futuro fiel da balança. Seu vice é Armando Caro Figueroa, ex-ministro do Trabalho de Menem.
No meio da crise russa, Cavallo foi convocado às pressas a Moscou para preparar um plano de emergência que acabou em nada. Na crise asiática, serviu como consultor dos governos abalados. Anos antes, um pré-ensaio de querer aplicar a conversibilidade no Equador acabou em revolta popular e na destituição do presidente Abdalá Bucaram. Cavallo nega que tenha sido sua culpa. (A.P.)





