Cavallo já admite mudança na conversibilidade
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Ariel Palácios, especial para a AE 
Buenos Aires, 15 (AE) - Criador do plano de conversibilidade da Argentina, o ex-ministro da Economia Domingo Cavallo, admitiu que o país terá de acabar com a paridade dólar-peso em algum momento.
As declarações de Domingo Cavallo foram feitas durante análise sobre as consequências negativas que o país está enfrentando por causa da valorização do dólar em relação a outras moedas, a queda dos preços internacionais e a desvalorização do real. Desde 1991, o peso está vinculado ao dólar, valorizando-se ou desvalorizando-se simultaneamente à moeda norte-americana.
As afirmações de Cavallo causaram supresa entre os participantes do Primeiro Encontro Hispano-Argentino de Economia
em Buenos Aires. Mas o ex-ministro tranquilizou os empresários e economistas presentes quando explicou que a conversibilidade não teria de ser abandonada.
"Não tenho nenhuma dúvida de que a conversibilidade vai perdurar e em algum momento será sustentada em um tipo de câmbio flutuante", disse. No entanto, Cavallo fez um alerta: "Isso somente deverá ocorrer sem entrar em uma crise monetária."
Além disso, Cavallo disse que o fim da paridade dólar-peso somente poderia tornar-se realidade depois que todos os países do Mercosul tivessem feito a convergência de suas políticas monetárias.
O euro foi citado como exemplo por Cavallo, que afirmou que nas últimas crises econômicas internacionais verificou-se que as zonas com políticas cambiais comuns suportaram melhor a situação.
Segundo Domingo Cavallo, teria de ser criada uma moeda única no Mercosul, com base em uma cesta de moedas composta pelo euro e o dólar. "Essa cesta de moedas servirá até que a moeda única se fortaleça e acabe sendo uma moeda confiável não só na região, mas em todo o mundo", afirmou.
Brasil e Mercosul - Cavallo também fez referências ao Brasil: "Para preservar a estabilidade, o Brasil vai acabar adotando um sistema monetário parecido com o nosso e deixará os sistemas nos quais possam ocorrer novas desvalorizações e riscos inflacionários."
O ex-ministro disse que, "apesar do momento crítico que o Mercosul está passando, que nos obriga a repensar o processo de integração, o bloco comercial do Cone Sul deveria apreciar a experiência da Europa, que, além da integração comercial e industrial, trabalhou pela integração do sistema monetário".


