São Paulo, 27 (AE)- O ex-ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, disse hoje que considera "impossível" a hipótese de desvalorização da moeda na Argentina. Ele atribuiu os boatos de desvalorização à ação de especuladores, que, segundo ele, "vão se arrepender" de terem vendido ativos em peso. Como exemplo, Cavallo cita o ataque especulativo ocorrido na Argentina em 95. Naquela época, segundo ele, os ativos passaram a se recuperar a partir do segundo semestre. "Nosso sistema funciona muito bem", disse.
Cavallo garantiu que os juros de US$ 15 bilhões referentes ao pagamento de dívidas interna e externa argentinas não são motivo para preocupação. "Isso equivale a apenas 3,5% do PIB", justificou. Ele descartou também a possibilidade de dolarização da moeda argentina e disse que o presidente Carlos Menem cogitou essa possibilidade, inicialmente, por estar mal-assessorado. "Se ele tivesse ouvido Roque Fernandez (atual ministro da Economia), não teria dito isso", afirmou.
Cavallo defendeu a aprovação da lei de responsabilidade fiscal na Argentina, não tanto para reduzir o déficit público, mas para possibilitar a redução de impostos e a retomada dos investimentos. Por essa lei, os gastos públicos ficariam limitados a 1,5% do PIB. Com relação ao Brasil, ele defendeu a aprovação das reformas fiscal, previdenciária e administrativa como formas de possibilitar ao país crescer em níveis anuais de 6% a 8%.
Moeda única - O ex-ministro da Economia da Argentina, que participa de evento promovido pelo grupo SAP em São Paulo, também defendeu a adoção de moeda única no Mercosul, o que posibilitaria, segundo ele, a redução das taxas de juros e evitaria problemas bilaterais como o que sofreu a indústria argentina com a desvalorização do real. "Não existe integração industrial sem um sistema monetário único", afirmou. Para isso, Cavallo prevê que, em dez anos, os países precisariam se comprometer a cumprir metas únicas de inflação, déficit público e taxas de juros, a exemplo do que ocorreu na União Européia.

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