Rio, 25 (AE) - O ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo disse hoje, em seminário na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que o real poderá servir de base para a criação da moeda única no Mercosul. A condição para isto, afirmou Cavallo, é que a moeda brasileira ganhe poder de conversibilidade - situação em que pode ser livremente trocada por dinheiro estrangeiro, segundo taxas de câmbio determinadas.
Cavallo ressalvou que o peso argentino é hoje a moeda que tem maior grau de conversibilidade entre os quatro países que compõem o bloco econômico, por causa da sua paridade com o dólar. "Se o real se tornar conversível, pode se transformar em uma moeda ampla, como significou o marco alemão para a formação do euro", explicou no seminário, que debateu a situação da América Latina após a crise brasileira.
"Isso tem que ser testado pelas pessoas e pelos mercados durante um período que pode ser longo", avisou o ex-ministro. "A conversibilidade é uma propriedade das boas moedas, dos países que não impedem a seus cidadãos que usem também moedas estrangeiras (como ocorre na Argentina)", afirmou.
Dolarização - O ex-ministro alertou que conversibilidade não significa dolarização e chegou a ironizar o presidente da Argentina, Carlos Menem, que já defendeu a idéia."A dolarização é extemporânea e inoportuna", disse. "O presidente Menem só a defendeu porque no dia da sua declaração ele estava sem a companhia do seu ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central." Segundo o ex-ministro, só com a conversibilidade das moedas nacionais os países do Mercosul poderão aumentar sua competitividade no mercado internacional, reduzindo as taxas de juros. Para o economista argentino, a chave para a unificação monetária do Mercosul está nas mãos do Brasil e da Argentina, caso ambos decidam adotar conjuntamente a conversibilidade.
Cavallo afirmou que somente após as eleições presidenciais argentinas, marcadas para o fim do ano, as expectativas positivas sobre a economia argentina ficarão mais sólidas. A melhora das expectativas é importante para a crise econômica no país ser superada, na opinião do ex-ministro.
Cortes - Os primeiros sinais positivos surgirão ainda no segundo semestre, afirmou o ex-ministro da economia da Argentina. As medidas defendidas por Cavallo para o seu país são a reforma trabalhista, maior corte de gastos das províncias (Estados) e o fim de "impostos extorsivos" que prejudicam a competitividade. O ex-ministro afirmou que há "consciência", entre as classes política e econômica argentinas, da necessidade de adoção destas medidas.

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