Buenos Aires, 06 (AE) - "Lampreia está errado. Muito errado". Com estas palavras, o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, replicou as declarações do chanceler Luiz Felipe Lampreia publicadas na imprensa argentina de que a paridade um a um entre o peso e o dólar tem seus dias contados.
"A Argentina não vai tomar medidas que empobreçam seu povo", disse o ex-ministro, que contra-atacou disparando que "a desvalorização do real, como indicam as estatísticas, empobreceu os brasileiros. No Brasil, a população se sente mais pobre".
Cavallo sustentou aos correspondentes estrangeiros em Buenos Aires que "esse sentimento tem toda razão de ser, já que quando a moeda se desvaloriza, acaba-se com os salários e com as poupanças dos trabalhadores". Segundo o ex-ministro, "a conversibilidade deu poder monetário aos argentinos".
Cavallo afirmou que "em algum momento o peso terá que flutuar, mas isso será daqui a uns cinco anos, quando a moeda argentina inspirar confiança. E terá que ser em um momento quando o dólar estiver fraco. Seria uma loucura flutuar com um dólar forte".
O pai da conversibilidade citou como "bons exemplos" os casos do Canadá, Nova Zelândia e Cingapura. O ex-ministro criticou as desvalorizações afirmando que "os argentinos nunca mais serão cobaias dos ministros da Economia de plantão".
Cavallo, que é candidato à presidência do país pelo partido que criou há pouco mais de um ano, o "Ação Pela República", é o terceiro colocado nas pesquisas, com 9% das intenções de voto. Referindo-se à campanha eleitoral e à economia, Cavallo criticou o candidato do governo, Eduardo Duhalde, afirmando que é um absurdo que tenha proposto aos industriais a suspensão das demissões por um ano, em vez da reforma trabalhista.
"Foi o marqueteiro brasileiro Duda Mendonça que o fez dizer isso. Duhalde é um prisioneiro deste marqueteiro", segundo Cavallo. "Eu não entraria em uma enrascada assim por causa de um assessor estrangeiro. Eu assessoro a mim mesmo", garantiu Cavallo.

mockup