Buenos Aires, 07 (AE) - O ex-ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, defendeu hoje a criação de uma moeda comum para o Mercosul como forma de garantir aos países do bloco mais empréstimos com menores taxas de juros. Segundo Cavallo, para que o Mercosul atinja este grau de integração, os seus sócios terão, antes, que avançar rumo a um pacto para redução do déficit público.
"Precisamos de uma moeda que nos dê acesso a financiamentos com prazos de 20 anos e juros similares aos obtidos pelos países da Europa ou pelos Estados Unidos. A competitividade de um país depende, atualmente, do custo do capital", disse durante um encontro com cerca de 200 empresários e executivos brasileiros.
O ex-ministro descartou a proposta de dolarização regional, lançada pelo presidente argentino Carlos Menem, no início deste ano, argumentando que é inviável. "Adotar o dólar como moeda no Mercosul seria o mesmo que perder a batalha antes de iniciá-la. Em geral, o dólar é a moeda internacional adotada pelos países que fracassam". Conforme Cavallo, a Argentina já teve o dólar como moeda. "Isso ocorreu, nos anos 80, durante a hiperinflação, quando a população repudiava o austral".
Embora tenha evitado as comparações entre as moedas do Brasil e da Argentina, o ex-ministro e atual candidato às eleições presidenciais de outubro pelo partido Ação pela República, disse que a moeda única deverá ter como requisito básico uma alta qualidade.
"Será mais parecida ao peso argentino ou ao real? Digo que se parecerá com a moeda do país que mais rapidamente tiver essa alta qualidade. Se um dos dois países for capaz, com a sua moeda, de obter bons contratos de financiamento com baixas taxas de juros, então, a sua moeda servirá como modelo para o Mercosul", explicou.
O encontro entre o ex-ministro e os empresários foi organizado pelo Grupo Brasil, entidade privada, que reúne cerca de 200 companhias brasileiras com investimentos na Argentina.

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