Cavallo critica candidatos que defendem desconto de dívida
Buenos Aires, 29 (AE-AP) - O ex-ministro da Economia da Argentina e atual deputado Domingo Cavallo qualificou hoje (29) de "muito irresponsável" e "equivacadas" as declarações do presidente Carlos Menem e dos candidatos a sua sucessão sobre a dívida externa do país. Cavallo, que também se credenciou para disputar a sucessão de Menem, afirmou que pedir um desconto da dívida externa do país aos credores pode produzir "uma interrupção no crédito externo do país e provocar um aumento dos juros".
O ex-ministro também descarta a hipótese de dar um "tratamento político" à dívida porque, segundo ele, "a maior parte dela está nas mãos do mercado, principalmente dos detentores de bônus".
Ontem (28), durante a Cimeira América Latina-Caribe e União Européia, que se realiza no Rio de Janeiro, Menem previu que se a oposição vencer a eleição, "o país optará pela receita fácil da desvalorização". Já o presidenciável do Partido Justicialista, peronista, Eduardo Duhalde, propôs que os credores externos cancelem parte da dívida, enquanto o candidato Fernando de la Rúa, da Alianza-UCR-Frepaso pediu um tratamento político para a questão.
Apesar das duras críticas feitas aos demais candidatos à presidência, Cavallo disse que as observações dos presidenciáveis não produziram efeito no mercado, o que demonstra que os agentes já não prestam atenção ao que dizem os candidatos. Mas alertou que esse tipo de declaração pode ter repercussões no exterior, fazendo aumentar o risco do país.
A dívida externa da Argentina soma hoje aproximadamente US$ 120 bilhões, o equivalente a 41,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Esse valor é surpreendente ante os pouco mais de US$ 7 bilhões devidos ao exterior em 1976, época do golpe militar, ou até dos US$ 40 bilhões registrados em 1983, quando do início do processo de redemocratização. Só este ano a argentina pagará US$ 7 bilhões em juros, cifra que sobe para US$ 12 bilhões no ano que vem.





