Cavalgada bate novo recorde
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segunda-feira, 11 de março de 2013
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Em vez de carros, motocicletas, caminhões e ônibus, Londrina foi tomada por um tipo de condução diferente do habitual. Cavalos, éguas, burros, mulas, muares, bardotos, potros e charretes tomaram conta de algumas das principais vias de Londrina na manhã de ontem durante a cavalgada promovida pela Sociedade Rural do Paraná. Segundo a organização, perto de 2.500 pessoas, com 2.270 animais, participaram do acontecimento que precede a 53ª ExpoLondrina, que será realizada de 4 a 14 de abril. Ao todo foram 160 comitivas de 34 cidades do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No ano passado, foram 1.745 cavaleiros de 194 comitivas e de 37 localidades.
Mesmo antes do início da cavalgada era possível ver os participantes percorrendo as ruas da cidade isoladamente. Era um cavaleiro na Avenida Higienópolis para um lado, uma amazona na Av. Juscelino Kubitschek do outro lado, uma charrete na Rio Branco com a lotação esgotada em outro ponto. Todos eles se dirigindo ao ponto de encontro localizado no terreno em frente ao Shopping Center Catuaí, de onde todos partiram em direção ao Parque de Exposições Ney Braga, em um percurso de 10 quilômetros.
Nem mesmo o sol forte intimidou os participantes, a maioria devidamente paramentada com os tradicionais chapéus ao estilo dos caubóis. O boiadeiro Victor aparecido de Lima, de 53 anos, foi o que estava com as indumentárias mais completas, como se fosse dali para a lida com os os bois. Ele foi o responsável por encabeçar a cavalgada. "Participo de cavalgadas há 18 anos. Eu venho para me divertir e matar as saudades dos amigos", revelou o boiadeiro, munido com seu berrante.
O trajeto contemplou as Avenidas Madre Leônia Milito, Ayrton Senna, Maringá e Tiradentes. A cena parecia um mosaico improvável, com as centenas de animais encilhados trotando ao lado de prédios e construções modernas. A estudante de Agronomia Natália Carr, de 23 anos, participou pela primeira vez da cavalgada e achou interessante essa integração do tradicional com o novo. "Tenho amigos na cidade que nunca foram para o mato, então é diferente para eles. Eu gosto da ideia de levar animais para o meio urbano", revelou.
O pecuarista Renan Vilela, 26 anos, definiu a cavalgada como uma espécie de volta às raízes. "Isso nos faz lembrar de nossos avós, que sempre trabalharam com animais", salientou. O policial militar Romildo Ugolini, de 30 anos, relatou que participou da cavalgada para não deixar a tradição da família morrer. "Eu sou um dos únicos netos que mantém esse costume de participar das cavalgadas", revelou. Ele relatou que os cavalos vieram do município de Reserva (Campos Gerais) e ele e seus amigos tiveram que desembolsar R$ 600 para trazer os cavalos a Londrina. "Vale a pena", declarou.


