Ao som de berrantes e modas de viola, cavaleiros e amazonas de todas as idades tomaram as ruas de Londrina ontem de manhã durante a nona edição da Cavalgada da Expo Londrina. O evento, que faz parte das atividades que antecedem a feira agropecuária, já é tradicional entre as comitivas que vêm de várias cidades da região para cavalgar e divulgar a tradição sertaneja a quem vive na zona urbana.
O grupo saiu do Autódromo Municipal e terminou o passeio no Parque de Exposições Ney Braga, percorrendo cerca de nove quilômetros, em quase três horas. A cavalgada anuncia a proximidade da ExpoLondrina, que este ano acontece de 7 a 17 de abril.
Ilson Romanelli, conselheiro da Sociedade Rural do Paraná (SRP) e um dos organizadores da Cavalgada, explicou que o evento tem o objetivo de prestigiar o pessoal "da roça" e relembrar ao povo da cidade sobre o clima rural que faz parte da história de muita gente. "As pessoas reúnem os amigos e a família para cavalgarem. Tem gente que veio até do Mato Grosso do Sul", conta. De acordo com a assessoria de imprensa da SRP, participaram do passeio cerca de 2,2 mil pessoas vindas de 29 localidades do Paraná, totalizando 174 comitivas. "Como a safra atrasou, tem gente que não pode vir porque está trabalhando", antecipa Romanelli.
A família Costa, formada pelos pais Sandro e Dourete e as crianças Ellen, de 10 anos, e Gabriel, de 13, vieram de Ortigueira, a 150 quilômetros de Londrina, para participar da cavalgada. "Trouxemos um caminhão com 20 cavalos", contam eles, que possuem uma fazenda onde trabalham em família. Tradicionais em cavalgadas do Estado, eles chamaram a atenção por dominarem a técnica de tocar berrante.

Cavaleiros e amazonas tomam as ruas de Londrina
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A pequena Ellen, uma "cowgirl" assumida que faz questão de usar botas e outros acessórios até mesmo para ir à escola, aprendeu a tocar berrante aos sete anos e domina a arte que foi passada à família pelo avô e pelo bisavô. "As pessoas acham bonito, querem me filmar", diverte-se ela, enquanto faz uma demonstração da potência do berrante com os pais. Sandro, o patriarca, exibe com orgulho o berrante de 45 anos que foi do pai e do avô e ensina: "Tem que por álcool dentro para curtir a madeira e o som ficar bonito."
De Cianorte (Noroeste), o vendedor de automóveis Aparecido Donizete Garcia veio com mais três cavaleiros para prestigiar a Cavalgada de Londrina. "Nasci no sítio e desde criança sou apaixonado por cavalos", conta ele, que serviu o exército na cavalaria em Brasília e chegou a integrar os "Dragões da Independência". Com a comitiva chamada "Cinturão Verde", ele participa de várias cavalgadas e conta com entusiasmo sobre o passeio realizado entre Mamborê e Lunardeli, no Paraná. "São cinco dias cavalgando."
Presença conhecida por reproduzir, com duas mulas, o modo de viajar dos antigos sertanejos que conduziam gado, Vitor Aparecido da Silva, mais conhecido como Vitinho, também tocou o berrante com fervor para demonstrar o orgulho de ser "caipira". "Trabalho com gado desde os oito anos, é minha vida", conta ele, que mora em uma fazenda em Arapongas (Norte) e costuma participar de todas as cavalgadas da região. A vestimenta, toda inspirada nos sertanejos de outros tempos, também é simbólica. "Quero manter viva a tradição", planeja.
A presença feminina também deu o tom da cavalgada, com muitas mulheres sobre cavalos. Karina Martins, Isabela Tarelho e Gleice Cristina vieram de Cambé com a comitiva Santo Expedito e contaram que cavalgar é a paixão e o hobby da família e dos amigos que integram o grupo. "Participamos de muitos eventos e, quando não tem nada, saímos em grupo para andar à cavalo", relatam.
Quem mora na cidade também aproveitou a cavalgada para relembrar do espírito sertanejo. Lucas Manoel de Carvalho mora no Novo Amparo e trabalha fazendo fretes de carroça. O instrumento de trabalho foi utilizado, ontem, para trazer todos os sobrinhos para o passeio que antecede a Expo Londrina. "Sempre trabalhei com cavalos, gosto muito. É uma oportunidade de mostrar essa tradição para as crianças", diz.

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