Causa do blecaute ainda causa polêmica entre técnicos e operadoras
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Jair Aceituno (especial para a AE) 
Bauru, SP, 24 (AE) - A polêmica sobre o raio que teria atingido, na noite de 11 de março, a subestação de Bauru e provocado o blecaute em 11 Estados continua. O vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), Luiz Antonio Salata, coordenador da comissão criada para apurar as causas do acidente, ouviu no último final de semana os três técnicos que se encontravam na subestação na hora do incidente. Segundo ele, os elementos até agora colhidos mostram que, ao contrário do que anunciaram as autoridades do setor, não caiu raio na subestação.
Salata considera "uma piada" o relatório que a Companhia Energética de São Paulo (CESP), dona da subestação, encaminhou à comissão, pois menciona a descarga mas não especifica o local onde teria acontecido, no caso Bauru. Ele já dispõe de informações fornecidas pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp, com sede em Bauru, segundo as quais não estaria chovendo na cidade na hora do incidente. Ele aguarda informações solicitadas aos serviços de rastreamento de descargas atmosféricas da CEMIG, Furnas e Semepar, que fazem o monitoramento da região. Também espera os relatórios do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Agência Nacional de água e energia Elétrica (Aneel), para comparar tudo ao que a CESP forneceu e ao material colhido no depoimento dos funcionários da operadora.
A comissão continua buscando informações que convençam seus integrantes do que realmente determinou a interrupção de fornecimento e deverá encaminhar o relatório de suas pesquisas ao Ministério Público Federal para a apuração de responsabilidade.
Para o secretário estadual de Energia, Mauro Jardim Arce, a conclusão da comissão do CREA, ainda que preliminar, é prematura
pois o órgão ainda fará seus levantamentos. Ele garante que houve um curto-circuito na subestação de Bauru e que a causa mais provável para isso é um raio, mas rejeita as afirmações de que o problema teria ocorrido por falta de manutenção ou outro problema operacional. "Não basta dizer que não foi o raio, mas sim apontar o que foi e apontar soluções", disse Arce.


