Católicos prometem ajudar a criar bebê de menina de 11 anos
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Sílvio Barsetti Agência Estado Rio de Janeiro 
Os pais de M., de 11 anos, vítima de estupro e grávida de 18 semanas, afirmaram ontem que vão criar o bebê, independentemente da ajuda que receberem. Grupos católicos de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul prometeram dar assistência à família e ao bebê. O pai de M., Valter de Oliveira, de 38 anos, disse ter ficado aliviado com a decisão de cancelar o aborto. Ele defendeu a pena de morte para o estuprador e disse que vai tentar encontrá-lo pelos arredores de Sapucaia, onde vive.
Oliveira disse não ser a favor da justiça pelas próprias mãos. O pai de M. esteve durante todo o dia no Instituto Municipal Fernando Magalhães, em São Cristóvão, onde a filha estava internada. Ela recebeu alta anteontem pela manhã, mas até o início da noite esperava, com os pais, um carro da prefeitura de Sapucaia para voltar à sua cidade.
A menina, assustada com os últimos acontecimentos, comentou com uma enfermeira: Vai ser legal ter o filho. Durante a noite de quarta-feira, ela pareceu confusa e chegou a chorar, dizendo que não queria a criança. A mãe de M., Maria da Conceição, disse ter rezado todas as noites pela filha e espera contar com o apoio do padre Luiz Fraga, da paróquia de Sapucaia.
Desde que soube que sua filha estava grávida, Oliveira passou a dar pouca atenção à lavoura em que trabalha e perdeu quase toda a produção de jiló e berinjela. Ganho agora menos de R$ 100 por semana, contou.
A Missa do Galo em Sapucaia, no dia 24, segundo o padre Luiz Fraga, vai ser em ação de graças pela decisão da família de M.


