Curitiba - Enquanto uma parcela da sociedade comemora a Páscoa não como uma celebração religiosa, mas como um feriado prolongado que dá uma trégua nas obrigações do dia-a-dia, outra parcela está cada vez mais voltada ao simbolismo que a data significa. Este ano, a data dos ritos de Páscoa de judeus e católicos coincide. Tanto os judeus quanto os católicos marcam a data com liturgias especiais.
Em Curitiba, as igrejas católicas já recebem os fiéis e as famílias judaicas já tiraram as louças especiais dos armários, reservadas apenas para essa época do ano, para marcar as celebrações. O Pessach, a Páscoa dos judeus, acontece na primeira lua cheia após o início da primavera em Israel. Os católicos comemoram a Páscoa após o equinócio da primavera no Hemisfério Norte.
Para os católicos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição no terceiro dia, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã. Os católicos celebram missas e orações, deixam de comer carne vermelha, entre outros rituais.
Para os judeus, o Pessach marca a libertação do povo judeu e sua travessia do Egito até a Terra Prometida. As homenagens judaicas começaram na última terça-feira e duram oito dias. Os primeiros dois dias são reservados a ceias noturnas, marcadas por rituais especiais e pela oferenda de alimentos diferenciados. Na cerimônia do Pessach é lido o Hagadá, que relata a saga do povo judeu.
Enquanto os católicos deixam de comer carne hoje, Sexta-feira Santa, os judeus, desde a última terça-feira, ingerem alimentos especiais. Deixam, por exemplo, de comer alimentos que contenham fermento, como pão e macarrão. O jornalista Szyja (Josué em polonês) Ber Lorber explica que cada ação tem um siginificado. O fato de ingerir ou não alguns alimentos, por exemplo, está ligado à forte simbolismo. ''As hortaliças ingeridas são mergulhadas em água salgada que simbolizam as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados, no Egito'', exemplifica o jornalista para um dos pratos que integram a ceia do Pessach.
Para Lorber, a Pessach é uma das principais festas judaicas e passa por um período de renovação. Ao contrário da tradição se perder no tempo, diz o jornalista, está acontecendo uma renovação da festa. ''Na Escola Israelita, por exemplo, as crianças reproduzem a tradição e as duas sinagogas de Curitiba fazem as ceias coletivas para aqueles que não têm condições de prepará-la'', conta. (Colaborou Fernanda Bressan)

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