Washington - A maioria dos católicos nos EUA espera que a reunião que seus cardeais estão mantendo com João Paulo II em Roma melhore a forma com que a Igreja trata os abusos sexuais dos sacerdotes, mas ainda assim não esperam ‘‘milagres’’.
O surgimento de diversas denúncias por abusos sexuais nos Estados Unidos desde o início deste ano minou o espírito dos católicos desse país que, mesmo assegurando que não perderam sua fé, sentem que sua confiança na Igreja está ressentida.
Ontem, os 12 cardeais dos Estados Unidos e três altos representantes da Conferência Episcopal dos EUA iniciam dois dias de reuniões no Vaticano para buscar uma saída para a atual crise e prevenir novas.
Setenta e um por cento dos indagados numa pesquisa conjunta do jornal The Washington Post e da cadeia de televisão ABC consideram que as reuniões de Roma serão frutíferas. Outros 24 por cento, no entanto, acham que o mais provável é que não sirvam para nada e que a Igreja continuará tratando este tipo de denúncias como até agora: com sigilo e ameaças.
Mais de 100 dos 47.000 sacerdotes que vivem e trabalham nos EUA foram acusados de abusos sexuais de menores nos últimos meses. Para 36 por cento, os sacerdotes e a hierarquia eclesiástica continuarão com as práticas atuais, as mesmas pelas quais 73 por cento acha que o cardeal de Boston, Bernard Law, deveria renunciar frente a 22 por cento que não vê motivos para isso. Law é acusado de ter ocultado os abusos sexuais de alguns sacerdotes de sua diocese.
Nos Estados Unidos há 62 milhões de católicos, o que significa que esta é a Igreja com mais fiéis do país.

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