Otávio Magalhães/Agência Estado‘‘Adaptação’’O arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida, defendeu na assembléia do Celam a integração dos divorciados, das mães solteiras e dos filhos de uniões ilegítimas na Igreja Na abertura da 26ª assembléia ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), no Rio, o cardeal-arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), dom Oscar Andrez Rodriguez Maradiaga, criticou a globalização, ‘‘que aumenta o número de excluídos’’, o neoliberalismo e as pressões dos organismos internacionais sobre as nações latinas. Presidente do encontro, Maradiaga também condenou e alertou os cardeais e bispos para o messianismo ateu, ‘‘que leva ao niilismo e à indiferença religiosa’’; o exoterismo; a influência das religiões orientais.
A assembléia, no Mosteiro de São Bento, reúne 62 cardeais e bispos da América Latina e do Caribe, e seu objetivo é preparar a Igreja para o terceiro milênio. Na sexta-feira, quando termina a assembléia, os integrantes da Celam deverão entregar um documento ao papa João Paulo 2º sobre as recomendações para a atuação da Igreja no continente.
Dom Oscar chamou a atenção para a crescente pobreza e para as ‘‘pressões dos organismos internacionais’’ sobre as nações latino-americanas. ‘‘O Celam já levou o problema para os presidentes do Banco Mundial (Bird), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).’
Segundo dom Oscar as questões do trabalho, saúde e educação devem ser prioridades dos bispos latinos. ‘‘A saúde é o maior capital dos pobres e sem educação não é possível sair da pobreza.’ Ele afirmou que ‘‘os setores intelectuais religiosos devem buscar respostas para esses problemas na fé, porque a Igreja não pode se deixar vencer pelo cansaço e pela frustração’’. Ele defendeu a integração econômica no continente como resposta para acabar com as desigualdades e disse que o mesmo deve ser feito no campo espiritual, com a integração dos sacerdotes.
Para o cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales, o desafio fundamental da Igreja na América Latina, está ‘‘na preservação da identidade da Igreja’’. Dom Eugenio comentou documento divulgado no Vaticano, segundo o qual a Igreja será mais tolerante com os divorciados, as mães solteiras e os filhos de casamentos irregulares. ‘‘Na Arquidocese do Rio determinei que até filhos de prostitutas sejam batizados.’ Dom Eugenio chamou a atenção para a necessidade de educação religiosa, ‘‘que pode ser ministrada à criança pelos padrinhos ou pela própria comunidade’’.
O cardeal afirmou que não vai aceitar a provocação dos grupos gays e protestantes que profanam a imagem do papa. ‘‘A Igreja é e sempre será contra o homossexualismo; tendência não é pecado, mas é preciso resistir’’, disse. ‘‘Não quero valorizar essa anomalia.’ Quanto aos protestantes que agridem a imagem do papa, dom Eugenio afirmou se tratar ‘‘de uma minoria’’.
O arcebispo de Mariana (MG), Luciano Mendes de Almeida, também defendeu a integração dos divorciados, das mães solteiras e dos filhos de uniões ilegítimas na Igreja. ‘‘A Igreja precisa ter essa capacidade de adaptação’’. Ele disse que a expansão das seitas é problema ‘‘na formação dos próprios católicos’’ e afirmou que, ‘‘um segundo casamento, para pessoas divorciadas, exige exame’’. Dom Luciano disse que na América Latina deve se pensar no problema da terra, do trabalho, da saúde, e da família, com especial atenção para as crianças e idosos.
Dossiê - O papa João Paulo 2º receberá dossiê que acusa a existência no Brasil de 4,5 milhões de crianças trabalhando ilegalmente na lavoura e na mineração. Preparado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) com base em levantamentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o documento será entregue ao papa pela Arquidiocese do Rio. A mão-de-obra infantil, informa o dossiê, corresponde a 25% da força de trabalho no campo.
Desde ontem em poder da arquidiocese, o documento da Contag diz que crianças de 5 a 14 anos trabalham nas lavouras de laranja, cana-de-açúcar, sisal, tomate, milho e algodão em todas as regiões do país. As crianças também são obrigadas a trabalhar em carvoarias, salinas e pedreiras. O dossiê diz que, nos últimos seis anos, 37 crianças morreram em acidentes de trabalho. O documento informa ainda que dez crianças foram assassinadas em conflitos pela posse de terra, 28 sofreram tentativas de homicídio e 26 receberam ameaças de morte.

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