Católicos de Londrina fazem abaixo-assinado
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
A comunidade católica de Londrina está se mobilizando para tentar impedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê parecer favorável sobre a interrupção de gestações de fetos com anencefalia. Mais de 3,8 mil assinaturas já foram recolhidas no último mês ao final das missas nas paróquias da cidade e a expectativa é que chegue a mais de 4 mil. O objetivo do movimento, que tem apoio do arcebispo Dom Albano Cavallin, é levar o abaixo-assinado à Brasília até o início da próxima semana.
A iniciativa partiu da Escola da Cidadania, um grupo de fiéis da Paróquia Sagrados Corações que se reúne semanalmente para discutir questões ligadas aos direitos dos cidadãos. Isto no início de julho, quando o ministro do STF Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar liberando a realização de procedimentos para antecipação dos partos de fetos com a anomalia.
A causa foi abraçada pelo padre César Braga, responsável pela paróquia, e que solicitou o apoio do arcebispo. ''Jesus defende a vida e a vida não é definida pelo cérebro'', argumentou o padre. Dom Albano Cavallin remeteu cartas para as 40 paróquias da cidade solicitando apoio dos padres para divulgar o abaixo-assinado. ''Encaramos o feto não como um pedaço de carne. O desenvolvimento da ciência revela cada vez mais vida dentro do feto e cuidamos do respeito à vida'', ressaltou Dom Albano.
Para um dos organizadores do abaixo-assinado, o advogado Carlos Augusto Costa, ''só o fato de despertar a consciência do cidadão londrinense para o assunto já é um ganho''. Agora, a busca é também por recursos para que ele e o padre consigam ir a Brasília entregar o abaixo-assinado. ''Temos que ir o mais rápido possível'', disse. Isto porque apesar de não haver data marcada para o julgamento, anteontem o plenário do STF sinalizou que deve se posicionar a favor da questão. Anteontem, os integrantes do Supremo decidiram que vão julgar diretamente o mérito da ação, em vez de analisarem a liminar de Marco Aurélio, que continua em vigor. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que é contrária à antecipação dos partos, pediu para ser incluída como parte na ação que tramita no STF, mas teve a solicitação rejeitada.


