Católicos de Londrina celebram o Sagrado Coração de Jesus
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Vitor Struck - Grupo Folha 

Nesta sexta-feira (28), os sinos da Catedral Metropolitana de Londrina avisavam que a missa solene com o arcebispo Dom Geremias Steinmetz já estava para começar. Mas era tempo suficiente para quem havia se programado para comer na festa do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro de Londrina. Pastéis, cachorros-quentes, espetinhos, pão com linguiça, sanduíche de pernil, além de bolos e doces. A festa acontece até as 22h no entorno da Catedral Metropolitana.
“Se eu tivesse condições eu iria experimentar de tudo, mas infelizmente eu tenho o estômago pequeno”, brincou a dona Jasebel Salomão, frequentadora da Catedral Metropolitana de Londrina, enquanto degustava um doce feito com pasta de amendoim.
Ao lado do marido, Lutffala Salomão, lembrou que frequentar a festa é algo que a faz se sentir muito bem espiritualmente e lamentou que os filhos, moradores de Uberlândia (MG) e São Paulo, ainda não tenham tido a oportunidade.
“Frequentamos a festa porque é um congraçamento que há entre pessoas de bom alvitre, pessoas boas, pelo menos em princípio, porque todos somos bons em princípio. Então nos sentimos bem, qualquer pessoa se sente bem aqui”, avaliou o jovem senhor de nome sírio, morador de Londrina há mais de cinco décadas.
Para o alimento espiritual, as celebrações tiveram início às 7h30 e, neste feriado em especial, lembraram do dia em que Jesus Cristo apareceu para a freira Santa Margarida Alacoque, da Congregação Ordem da Visitação, em dezembro de 1673. Neste momento, Jesus teria pedido a Alacoque que divulgasse a devoção a seu Sagrado Coração.
De acordo com dom Geremias Steinmetz, a festa pode ser considerada como complementar às grandes celebrações na liturgia da Igreja, como a Páscoa, o Natal e a Santíssima Trindade, e traz elementos importantes para a compreensão geral da fé.
“Agora estamos celebrando a festa do Sagrado Coração de Jesus que vem com toda esta mensagem, digamos assim, daquilo que é a humanidade do próprio Cristo. Quer dizer, Jesus, de certa forma, elegeu o coração como aquele sinal da misericórdia total do amor de Deus. Exatamente porque o coração, na Bíblia, é por onde passa a vida e hoje é o centro dos sentimentos, das opções e da fé, sobretudo onde nós cultivamos os melhores sentimentos que podemos ter”, explicou o arcebispo.
Desta forma, considerou o Coração de Jesus como um "oásis de paz, harmonia, misericórdia e encontro com a Santidade" ainda mais significativo em uma sociedade em que existe "tanta intolerância, dor e perseguição", avaliou.
O dia é comemorado sempre na segunda sexta-feira após a solenidade de Corpus Christi.
Neste ano, a festa foi realizada na rua lateral, entre a Catedral e a Praça Primeiro de Maio. Espaço de sobra para que crianças pudessem se divertir na cama elástica, touro mecânico e outros brinquedos.
Na lojinha da festa, a procura por terços, chaveiros, camisetas e outros artigos religiosos era constante. Tudo aos cuidados da veterana Valdirene Aparecida, corretora de seguros que desde 2002 trabalha em vários setores. “Hoje faço parte do dízimo, sou catequista e meu filho coroinha. Estamos revezando nas barracas, mas já fui da barraca do pastel, no caixa, auxiliei em várias coisas”, alegrou-se.
Ali o casal de professores Elisângela e Jânio Miazawa, pela primeira na festa, aproveitava para levar uma lembrança de um momento que consideram muito importante para o exercício da fé cristã. “É acreditar na bondade, na pessoa como ser, não somente ir na Igreja e participar de missa”, afirmaram.
Ao final da celebração outro casal conversou com a reportagem da FOLHA e cuja a fala representou uma lição de tolerância entre religiões. Maria Aparecida de Jesus e Milton Cordeiro de Jesus foram batizados na Igreja Católica. Entretanto, há mais de 15 anos, por influência do filho, frequentam uma igreja evangélica, o que não foi uma barreira para exercerem a fé na manhã desta sexta-feira (28). “Estamos visitando sempre todas as igrejas. Estando falando da palavra de Deus, para mim todo o templo é lugar”, afirmaram.
Para quem não pôde participar pela manhã, a festa está marcada para acontecer até às 22 horas com missas e diversas apresentações culturais.


