O padre Thierry de Guertechin, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, órgão ligado à CNBB, aponta que "a Igreja não acompanhou" o processo de migração populacional do campo para as cidades ocorrido em décadas anteriores. "O desafio é ir à periferia das grandes cidades", afirma.
Para Guertechin, esse processo influenciou diretamente as mudanças na opção religiosa dos jovens, já que muitos são filhos de migrantes que vieram do campo. "Mas temos que ver quem realmente participa da vida eclesial, e isso o Censo não mede", pondera o padre.
Euclides Marchi, professor sênior dos cursos de pós-graduação em História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que as mudanças nas estatísticas de preferência religiosa entre jovens acompanham as tendências gerais, de todas as faixas etárias.
"Tem a ver com a maneira como os católicos se comportaram e se identificaram como católicos no Brasil. O catolicismo foi implantado aqui como religião oficial, algo quase obrigatório para ter acesso aos direitos de cidadão. Ser católico não exigia esforço, vamos dizer. Isso se manteve ao longo da história, com muitos católicos não se dedicando (à fé). Existem os católicos de estatística e os realmente praticantes", diz o professor.
Marchi aponta que, com a criação e a difusão de outras possibilidades de igrejas cristãs, "muitas pessoas passaram a se sentir mais confortáveis em outras denominações religiosas".
"Mas (os números do Censo) dão a impressão de que o catolicismo diminuiu, que muitos católicos foram para outras igrejas. Mas, eu me pergunto, quais católicos procuraram essas outras igrejas? Os católicos de estatística ou os realmente praticantes?"
O professor lembra que os que se denominam sem religião também têm aumentado sua participação nas estatísticas. "Os dados precisam ser melhor analisados para que possamos compreender o chamado trânsito religioso." (F.G.)

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