Católicos comemoram Corpus Christi
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quinta-feira, 10 de junho de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
A chuva na madrugada de ontem, em Londrina, atrapalhou a confecção do tradicional tapete que marca a comemoração de Corpus Christi, e quase atrapalhou também a realização da procissão. Mesmo assim os fiéis comemoraram a data, uma das mais importantes no calendário católico. Em Londrina, houve missa e procissão nas 60 paróquias da cidade. Na Catedral, na Região Central, mais de 2,5 mil pessoas participaram da missa e, por causa da chuva, a procissão aconteceu dentro da igreja. No Conjunto Vivi Xavier (zona norte), os fiéis driblaram a chuva e à tarde confeccionaram um tapete de aproximadamente 800 metros.
Corpus Christi, ou Corpo de Cristo, segundo o assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, padre Valter Diniz, é a festa da presença real de Jesus no sacramento da eucaristia. Na procissão, única que é obrigatória nos eventos da igreja, uma hóstia gigante representa o Senhor Jesus. A hóstia é conduzida dentro de um ostensório por um sacerdote, e só ele pode pisar no tapete. O tapete de flores é uma tradição da idade média, quando se estendiam tapetes para os reis passarem pelas ruas, neste caso, o Rei Jesus. ''É a glória de Jesus como rei, depois da ressurreição'', explicou o padre.
A festa do Corpus Christi, segundo o padre Valter Diniz, também significa que ''Deus se dá em alimento'', suprindo tanto a necessidade básica material do ser humano, quanto a espiritual. ''Por isso, nessa data os fiéis são convidados a oferecer soluções para as carências da população, e acontecem as doações de alimentos e roupas'', explicou. Ao final da missa na Catedral foram distribuídos pão e frutas abençoados simbolizando a partilha e a generosidade.
Outra forte simbologia que marca a data é execução dos tapetes: um trabalho voluntário de fiéis que, normalmente, levantam de madrugada para fazer os desenhos, que depois são preenchidos com flores e serragem colorida. Euclides Storti Júnior, membro do Conselho de Administração e Pastoral Familiar da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, foi um dos que acordaram cedo ontem para tentar fazer o tapete nas ruas que cincundam a Catedral. Segundo ele, o grupo estava trabalhando há cerca de 15 dias na preparação do material e do desenho que iria ser feito. ''Às três da manhã a gente estava aqui, mas não teve jeito, a chuva não deixou a gente trabalhar. A festa perde um pouquinho do brilho, afinal é uma tradição de mais de mil anos'', disse.
No Conjunto Vivi Xavier, os fiéis das paroquias de São Judas Tadeu e São Vicente Pallot se juntaram na confecção de um tapete de cerca de 800 metros. A procissão, que normalmente ocorria pela manhã, foi programada para a tarde e o tempo ajudou. Com isso as crianças, jovens e adultos participaram da preparação do caminho de imagens religiosas para a passagem dos fiéis. ''A importância dessa data é acreditar no sangue de Cristo. Estamos fazendo isso porque acreditamos nele'' ressaltou o mecânico Luis Carlos Pereira, de 40 anos, que ontem trocou as ferramentas pelas serragens coloridas.


