São Paulo- A maioria das mulheres católicas, 70%, acha que grávidas de fetos anencéfalos, sem cérebro e sem chances de sobrevivência fora do útero, devem ter o direito de optar entre interromper a gestação ou mantê-la até o fim. Para 80% delas, obrigar a mulher a continuar com essa gravidez contra a sua vontade é uma tortura. A opinião contraria a posição oficial da Igreja Católica, que defende que a interrupção é um ato contra a vida.
Os resultados são de uma pesquisa feita pelo Ibope entre os dias 24 e 29 de novembro, com uma amostragem de 2.002 pessoas em 140 municípios do País. O levantamento foi encomendado pelo grupo Católicas Pelo Direito de Decidir, com assessoria técnica da Universidade de Brasília (UnB).
A discussão a respeito da anencefalia começou no primeiro semestre deste ano, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Melo concedeu uma liminar permitindo que as mulheres grávidas de fetos com anencefalia interrompam a gestação. A liminar foi derrubada pelos outros ministros - que deverão julgar o caso no ano que vem.
''A pesquisa mostra que os católicos pensam diferente da hierarquia da Igreja nesse caso'', diz Dulce Xavier, das Católicas. ''Não nos é desconhecido que há católicos favoráveis ao aborto; contudo, permanece a posição oficial da moral católica, que é contrária ao aborto e favorável ao respeito pela vida, não importando que tenha muitos ou poucos dias, horas ou minutos'', diz o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Odilo Scherer.

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