Cateterismo, você ainda vai fazer um
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Cateterismo. A simples menção desta palavra sempre foi motivo de preocupação; afinal, um exame em que se verifica o grau de obstrução das veias do coração não tem como ser simples. E não é mesmo. No cateterismo, um cano de mais de um metro de comprimento é inserido dentro de uma artéria até chegar ao coração. Lá, por meio de um equipamento de Raio-X, as imagens internas são visualizadas em monitores, e o médico injeta um contraste em várias regiões do coração para poder verificar a existência de placas de aterosclerose obstruindo veias e artérias. Enquanto os exames de saúde normais costumam ser rápidos, todo esse procedimento leva cerca de 40 minutos.
No entanto, uma nova técnica tem permitido reduzir os riscos de complicações e tornar o exame menos invasivo ao paciente. É o cateterismo radial, em que, ao invés da artéria femural (a mais utilizada) ou a braquial (no braço, próximo ao ombro), o exame é feito pela artéria radial, através de um pequeno furo feito no pulso do paciente. ''O cateterismo radial é seguramente mais difícil para o operador, mas muito melhor para o paciente, por ser menos invasivo, apresentar menos riscos, menos complicações e ser mais confortável'', explica o cardiologista intervencionista André Labrunie, acrescentando que, se pela artéria femural o índice de complicações chega a 5%, pela radial é praticamente nulo.
A grande diferença entre as técnicas está em, ao invés de perfurar uma artéria de cerca de 15 milímetros de diâmetro, o médico utilizar uma outra dez vezes mais fina. Com isso, o tempo de recuperação é bem mais rápido, e o paciente (que poderia até sair andando da sala de exames, já que a anestesia é apenas local) é liberado assim que a artéria cicatriza - o que leva pouquíssimas horas - e com apenas um band-aid no pulso. Já após um cateterismo femural, em que a incisão é feita próxima à coxa e à virilha, o paciente precisa ficar pelo menos seis horas deitado. ''Pela via radial, além das vantagens à saúde, a relação custo-benefício também é ótima, com menos custos ao paciente e ao hospital'', complementa o cardiologista, que integra a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.
Labrunie esclarece que qualquer pessoa pode se submeter a um cateterismo radial. ''A não ser que ela não tenha essa artéria'', brinca. Antes do exame, a única coisa que é solicitada ao paciente é um jejum de três horas (o que não precisa ser respeitado em emergências). E, como a recuperação é rápida e total, o médico afirma que, se necessário, é possível até realizar um segundo cateterismo no dia seguinte ao primeiro, e no mesmo braço. A técnica ainda pode ser utilizada tanto para diagnóstico quanto para fins terapêuticos, como em uma angioplastia, por exemplo.
Apesar dessas vantagens, ainda são poucos os médicos que conhecem e aplicam o cateterismo radial. A técnica chegou por aqui há pelo menos 10 anos, mas, embora o Brasil seja um dos países em que mais cresce a sua utilização, apenas 15% dos médicos do País a adotam. Nos Estados Unidos, o índice não passa de 3%, enquanto no Japão, é superior a 60%. Recentemente, Labrunie (que trabalha com a técnica desde 1999) foi convidado a participar de um curso de reciclagem e levar a experiência brasileira nessa técnica para os japoneses, comparando-a à de outros países. ''O cateterismo tinha o estigma de ser doloroso e complicado. Hoje, conseguimos realizá-lo com menos complicação e melhor qualidade. E 90% das pessoas que já se submeteram às duas técnicas preferem a radial'', compara.


