São Paulo, 09 (AE) - Na entrada monumental da Catedral da Sé, o único consolo para os fiéis que encontraram as portas da igreja fechadas era um pedaço de papel com o timbre da Prefeitura e os termos da interdição, válida desde ontem (08). Com frases um pouco técnicas e complicadas, o aviso era lido e relido pelos que estiveram lá hoje. Sem missa ou bênção dos padres, o ajudante geral Antônio da Paz rezava bem na entrada da catedral, ao lado do filho álvaro, de 8 anos. "Não tenho outros vícios; meu único é a Igreja Católica". Ele, a mulher e o "moleque" vão sempre até a Sé. "Venho pedir para que nunca falte o pão de cada dia".
Entre as imagens dos evangelistas que estão instaladas na frente da igreja, uma fiel fazia um monólogo em prol da reabertura da catedral. "Eles fazem isso porque não são cristãos", discursava. "O que o homem fecha, Deus pode abrir, porque São Pedro tem a chave". Grande parte dos que foram até lá, porém, concordava com a interdição. "É para o nosso bem", afirmou o pintor Manoel José dos Santos, que mora em São Miguel Paulista, na zona leste, e foi até lá só para "conferir" se a igreja estava mesmo fechada. "Imagina se um negócio desses cai na nossa cabeça..."
Enquanto "tomava um solzinho" e fazia suas preces na escadaria da catedral, a doméstica Maria Odete Soares Pereira dava "graças a Deus" pela interdição. "Se soubesse que estava assim e não interditassem, eu não viria de jeito nenhum". Obras - De acordo com o diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), Carlos Alberto Venturelli, os engenheiros contratados pela Cúria Metropolitana de São Paulo deveriam ir até a igreja hoje para apresentar o projeto de obras que possibilitará a reabertura da catedral. "O prefeito pediu que permanecêssemos à disposição e nós estamos". Os engenheiros
porém, não apareceram. Segundo Venturelli, a catedral não tem data para ser reaberta porque o funcionamento está condicionado à "descaracterização do risco".
De acordo com os técnicos do Contru, a construção apresenta rachaduras, blocos de pedra e tijolos estão na iminência de cair, há uma série de vazamentos e algumas paredes estão "carregadas de energia", por causa do estado da fiação interna, podendo provocar choques. Também estão faltando equipamentos de segurança. Na Cúria Metropolitana de São Paulo, o responsável pelo setor de Comunicação, Arnaldo Beltrami, surpreendeu-se com a notícia de que Venturelli aguardava os engenheiros. "Isso não é um projetinho qualquer, não é um barracão do Marcelo Rossi", afirmou. "Já estamos fazendo reformas há muito tempo e vamos continuar".
Beltrami classificou a atitude do Contru de "ridícula" e disse não fazer idéia de quando a reabertura será possível. "Isso depende da Prefeitura", concluiu.

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