Catástrofe ferroviária comove o povo egípcio
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Steve Negus France Presse 
Cairo - Vários egípcios, assustados com a catástrofe ferroviária sem precedentes que causou a morte de 373 pessoas, cancelaram sua viagem de trem, enquanto a oposição exigia investigação sobre a segurança nesse meio de transporte.
O balanço mais recente é de 373 mortos e 54 feridos na madrugada de ontem, perto da cidade de Al-Ayatt, 70 Km ao sul da capital, no incêndio do trem Cairo-Aswan. A composição levava famílias que retornavam aos seus lares para os cinco dias do Eid al-Adha, que marca o fim da peregrinação a Meca, na Arábia Saudita.
Muitos morreram queimados quando se amontoavam nas portas dos vagões ou tentavam escapar pelas janelas, fechadas por barras de ferro. Os socorristas levaram horas para retirar os corpos carbonizados dos corredores do trem. Outros, morreram ao saltar da composição em movimento.
De acordo com a imprensa oficial, foram registrados nas estações cancelamentos em massa de viagens de trem. Os egípcios estão optando pelos microônibus, e muitos motoristas aproveitaram para dobrar o preço da passagem.
No Parlamento, o líder da oposição islâmica, que reúne os deputados ligados ao movimento dos Irmãos Muçulmanos ou membros do mesmo, declarou que vai exigir uma investigação independente sobre a tragédia. As estatísticas são ruins há 10 anos (...) É cada vez pior e parece que as regras de segurança nos trens não são respeitadas, declarou o deputado Mohamed Mursi.
Seis mil pessoas morreram e 121 mil ficaram feridas em acidentes ligados ao transporte ferroviário nos últimos 10 anos, afirma o jornal oficial Al-Gomhuriya. Os trens egípcios, administrados por uma estatal, registram um acidente por ano desde 1995. Quase todos aconteceram em trens antigos, que oferecem bilhetes com preços mais baixos.
Vários passageiros do trem 832, que teve sete vagões incendiados ontem, pagaram o equivalente a menos de 1 dólar para viajar de Cairo para Aswan, no Sul do país. Segundo a imprensa oficial, cada vagão transportava o dobro de sua capacidade, de 150 passageiros.
Após visitar o local da tragédia, o premier Atef Ebeid indicou que as chamas teriam sido provocadas por fogareiros a gás usados por passageiros para esquentar a comida durante a longa viagem. Mas sobreviventes afirmaram não ter visto nenhum aparelho do tipo, devido à superlotação nos vagões, já que passageiros viajavam sentados no chão ou em pé nos corredores.


