Catar se opõe a ataques contra o Iraque, mas eles continuam
Doha, 09 (AE-REUTERS) - O moderado estado do Golfo de Catar pediu hoje (09) pelo fim dos ataques aéreos anglo-americanos contra o Iraque, pouco antes de aviões de combate dos EUA promoverem a última de uma série de missões de bombardeio contra instalações de defesa iraquianas.
Aviões americanos F-15E bombardearam instalações iraquianas na zona de exclusão aérea no norte depois de terem sido enquadrados por um radar, afirmaram autoridades na base dos jatos no sul da Turquia.
Um porta-voz disse à REUTERS que pilotos "agindo em autodefesa" haviam alvejado várias instalações a oeste e sul da cidade de Mosul.
Tais ataques têm se tornado eventos regulares desde que o Iraque decidiu em dezembro se opor ativamente a aviões dos EUA e Grã- Bretanha patrulhando zonas de exclusão aérea no norte e sul do país, estabelecidas após a Guerra do Golfo de 1991.
O ministro do Exterior do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, afirmou numa entrevista coletiva conjunta com o secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, depois de conversações no emirado do Golfo, que seu país se opõe a tais ações militares.
"Não desejamos ver o Iraque sendo bombardeado diariamente ou ver esses ataques que estão sendo feitos nas zonas de exclusão aérea", disse Hamad.
Mas ele afirmou que o Iraque tem de cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
"Algumas vezes (Catar e os Estados Unidos) têm suas diferenças. Eu tenho de dizer isto com franqueza", afirmou Hamad a repórteres. "Mas deixem-me dizer uma coisa a vocês: a principal questão é como trazer paz e estabilidade para a região".
Foi a primeira oposição aberta aos ataques que Cohen encontrou em sua turnê por nove nações do Golfo e do Oriente Médio visando promover uma frente comum contra o Iraque.
Um porta-voz na base de Incirlik, na Turquia, afirmou que no último ataque americano, que ocorreu entre 12h35 e 13h00 (horário local), bombas guiadas a laser GBU-12 alvejaram diversas baterias antiaéreas.
Um porta-voz militar iraquiano em Bagdá disse que suas defesas afugentaram aviões de combate dos EUA depois que estes lançaram cinco bombas contra instalações militares e civis na província de Nineveh.
Fontes da Liga árabe afirmaram que o Iraque irá exigir, numa reunião amanhã, que os Estados árabes peçam pelo fim imediato dos ataques aéreos.





