Curitiba- O governo federal está iniciando o mapeamento das organizações criminosas que atuam nos presídios brasileiros. O trabalho, que está sendo feito em conjunto pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), tem como meta definir um esquema de prevenção de rebeliões e de enfrentamento das ondas de violência.
De acordo com o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Maurício Kuehne, os principais líderes das facções criminosas serão isolados no Presídio Federal de Catanduvas (PR) que será inaugurado no dia 23. Com 200 vagas, o presídio de segurança máxima funcionará como uma espécie de estoque regulador para aliviar as tensões do sistema penal dos Estados, recebendo detentos de altíssima periculosidade.
As secretarias estaduais de segurança estão fechando suas listas de detentos com esse perfil para entregá-las ao Depen. São Paulo, que já tem 40 nomes, deve mandar 5 presos na primeira etapa. Entre eles, o líder Marcola. As violentas rebeliões organizadas pelo PCC começaram em 1997 quando o governo paulista iniciou uma política de transferência de líderes da facção criminosa para presídios foram de São Paulo. A estratégia durou de 1998 a 2002. O objetivo de isolar os criminosos, no entanto, surtiu efeito contrário: o PCC se expandiu em várias ''filiais''.
A primeira grande transferência, de seis líderes, ocorreu em 5 de março de 1998, quando os criminosos foram trazidos para o Paraná, em uma operação cercada de sigilo. Eles foram divididos em três presídios e disseminaram a cultura do PCC, estimulando a fundação do Primeiro Comando do Paraná (PCP). A transferência foi decidida depois da rebelião comandada pelo PCC na Casa de Detenção de Sorocaba, em dezembro de 1997, quando presos foram amarrados a botijões de gás. Um detento e um visitante morreram no motim.(L.P.)

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