Curitiba- Entre 140 e 150 criminosos, que cumprem pena em, pelo menos, dez estados brasileiros, deverão ser transferidos para a Penitenciária Federal de Catanduvas (50 km ao sul de Cascavel), no Paraná, nos próximos 60 dias. O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) está trabalhando na logística para a remoção dos detentos, mas mantém sigilo sobre quando as operações irão acontecer. O presídio, inaugurado em 23 de junho, recebeu anteontem seu primeiro hóspede, o traficante Fernandinho Beira-Mar, dirigente do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.
Até ontem, dez estados haviam manifestado interesse na transferência de presos para o Paraná, mas apenas cinco teriam oficializado os pedidos. São Paulo seria um deles e pediu para elevar sua cota de 40 para 45 detentos, mas ainda não formalizou por escrito. Marcos Camacho, o Marcola, principal dirigente da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), deverá estar entre eles.
Os nomes, tantos dos presos como dos estados, além dos detalhes sobre as transferências são mantidos em sigilo por razões de segurança. ''Tratando-se de criminosos desse porte, é temerário divulgar qualquer informação'', explicou o diretor do Depen, Maurício Kuehne. A assessoria de imprensa do órgão reforçou que a confirmação da transferência, também, depende do aval da Justiça Federal no Paraná.
Com a ajuda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Depen iniciou um programa de mapeamento permanente das cadeias de comando das facções criminosas dos presídios de todo o País. O objetivo é isolar os chefões desses grupos dos seus pontos de contato dentro e fora dos presídios. ''Vamos neutralizar essas lideranças'', disse Kuehne.
Ele informou que os presídios federais receberão também os presos ameaçados de morte por outros, os que representem perigo à segurança e à disciplina carcerária e aqueles oriundos do chamado regime disciplinar diferenciado (RDD). Desse modo, funcionarão como uma espécie de regulador de estoques, aliviando tensões que transformaram os presídios brasileiros em barris de pólvora.
Os presídios federais são considerados o terror dos chefes de facção, como Marcos Camacho, o Marcola, que comandou os últimos ataques em protesto contra sua possível transferência.

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