O corpo do empresário Júlio César Marino foi sepultado ontem, às 16 horas, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em Catanduva (SP), onde ele nasceu e fundou com o seu irmão José Carlos o Grupo J. Marino - ser enterrado em Catanduva era seu desejo. ‘‘Há muita especulação, mas é provável que ele tenha sido vítima de um assalto que não deu certo’’, disse José Carlos Marino.
Júlio, segundo José Carlos, estava bem, havia chegado de uma viagem de negócios do exterior. ‘‘Se ele tivesse algum problema ou recebido qualquer ameaça, teria me contado’’, afirmou. ‘‘Foi um ano bom para a empresa’’, explicou José Carlos.
Amanhã, Júlio estaria em Catanduva para participar da comemoração natalina na fábrica de biscoitos Itamaraty, que pertence ao grupo. O outro irmão, médico em São Paulo, Luís Marino, disse que Júlio só trabalhava desde menino. ‘‘Era criativo’’.
O corpo do empresário foi velado na Câmara de Vereadores, apesar de ele nunca ter disputado cargo público e não ter se envolvido com grupos políticos. ‘‘Foi uma homenagem do Legislativo a um empresário ilustre’’, afirmou o vereador Orácio Figueiredo (PT).
Pai e amigo‘‘Conheci o Júlio quando ele tinha 14 anos. Ele só pensava em trabalhar e, em 1970, ainda jovem, já era um grande empresário’’, disse o relações-públicas do grupo, José Alves da Silva Sampaio. Na década de 70, Júlio era um dos maiores exportadores de café do País. Depois, iniciou a diversificação agrícola e industrial, expandindo negócios no Paraná, tendo fixado residência em Londrina. O grupo tinha 4 milhões de pés de café plantados em diversas fazendas.
‘‘Perdemos um pai, um amigo e não um patrão’’, disse o diretor-financeiro da fábrica Itamaraty, em Catanduva, Paulo Gomes. ‘‘Ele (Júlio) comandava a festa de fim de ano na indústria, distribuindo brindes, fazendo sorteios, brincadeiras’’, disse o auxiliar de produção da indústria, Francisco Benedito Trindade. ‘‘Ele era rico mas humilde, sem orgulho, justo, e por isso muito respeitado e admirado pelos empregados’’, afirmou a funcionária Nair Maria Mariezo, que trabalha para o Grupo Marino há 30 anos.

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