Uma experiência em Belo Horizonte está tirando os catadores de lixo da marginalidade. Eles se reuniram e criaram uma associação que permite a participação dos catadores em oficinas de marcenaria e costura. Para ajudar na arrecadação de fundos, eles mantêm até uma casa noturna na capital mineira.

A experiência teve início há dez anos, com a organização dos catadores. O sucesso foi tão grande que, agora, a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis (Asmare) presta consultoria a outros municípios mineiros.

Esse trabalho de consultoria começou há dois anos através de uma parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que se associou à Asmare para erradicar o trabalho infantil nos lixões de 15 cidades de Minas.

Os catadores de todo o País pretendem fazer manifestações segunda-feira, quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Querem mobilizar a opinião pública para que a profissão seja regulamentada pelo Congresso Nacional, aproveitando a tramitação no Legislativo da lei de resíduos sólidos.

O exemplo de Belo Horizonte pode servir de estímulo para os manifestantes. O trabalho de Minas incentivou a organização dos catadores em associações ou cooperativas. Com apoio de uma ONG alemã (Misereor), mais 33 municípios estão sendo orientados pelos catadores de Belo Horizonte.

A situação das 346 famílias associadas à Asmare, num total de 1.500 pessoas, tem melhorado a cada ano. De acordo com a associação, há famílias com renda superior a cinco salários mínimos (R$ 900,00), mas esse contingente ainda é pequeno (1%); 8% das famílias ganham entre três e cinco salários.

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