Miami, 15 (AE-AP) - O presidente cubano Fidel Castro teme que os parentes de Elián González, o garoto de seis anos envolvido em uma controvérsia internacional por sua custódia, estejam tentando destruir a identidade do menor, que visitou nesta quarta-feira (15) a escola que frequentará caso receba asilo político.
Mas em carta dirigida à primeira-dama norte-americana Hillary Rodham Clinton, a prima de Elián, Marisleysis González, pediu que "não enviem Elián para ser marionete do assassino de sua mãe".
Elián González foi encontrado na costa da Flórida no mês passado após o naufrágio da embarcação na qual vários cubanos tentavam chegar ilegalmente aos Estados Unidos. A mãe e o padrastro de Elián morreram no naufrágio. O garoto está sob custódia de tios-avós em Miami.
"Aqui o tempo importa. Por quanto tempo podem mudar a mente de uma criança", disse Castro em entrevista divulgada no programa "Today", da rede NBC. "Por quê querem demorar para devolver o menino, para poder mudar a mentalidade do garoto, para destruir sua identidade?"
Castro empregou uma retórica de guerra fria e organizou manifestações para exercer pressão com o objetivo de que o garoto seja devolvido a Cuba, enquanto advogados que representam Elián em Miami pediram asilo político para que ele permaneça nos Estados Unidos.
A viagem feita por Elián e seus parentes no fim de semana aos parques de diversões Walt Disney World e Universal Studios, teve
segundo Castro, o único propósito de "deslumbrar o menino com todas essas coisas".
Em uma mensagem dirigida ao presidente Bill Clinton, o líder cubano disse: "Confio no sentido comum e no talento de seu povo."
Castro manifestou não acreditar que Clinton cometa o erro de manter a criança nos Estados Unidos. No entanto, o diretor da Escola Lincoln Martí em Miami, Demetrio Pérez, disse que essa instituição privada doará US$ 40.000 para custear os estudos de Elián até o fim do segundo grau.
Os parentes de Elián pensam em matricular ele nesta escola se progredir a petição de asilo político. Elián vestia uma camiseta com a insígnia da escola e viu uma carteira escolar com os dizeres: "Bem-vindo Elián. Esta é sua carteira."
Elián e outras 60 pessoas assistiram à noite em Miami a uma missa dedicada ao pedido de asilo político.
Previamente, membros de grupos de exilados cubanos em Miami contrários à política norte-americana em relação a Cuba se reuniram em frente ao escritório da parlamentar Ileana Ros-Lehtinen para exigir a devolução de Elián a seu pai em Cuba.

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