Rio, 27 (AE)- O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, disse hoje que, após a Marcha dos Cem Mil, ato de protesto realizado em Brasília ontem (26), "o governo só não tomará medidas no sentido de atender às demandas sociais da população brasileira, se for surdo e insensível".
Castro fez o comentário ao sair da missa pelos 19 anos da morte de Lyda Monteiro da Silva e lembrou que é preciso encontrar um ponto em que a questão social seja atendida, "sem criar incompatibilidades para o País no plano internacional".
Ele acredita que há limite para o sacrifício da população, em função do atendimento a nossos credores externos. "O governo já ultrapassou este limite e está deixando os credores satisfeitos, mas a sociedade brasileira, que paga a conta, contrariada sem ver atendidas suas demandas sociais", ressaltou. Segundo o presidente da OAB, que mora e advoga em Brasília desde a fundação da cidade, há 39 anos, protestos como estes são saudáveis, positivos para a democracia e deveriam ocorrer com mais frequência para que "a elite brasileira ouça o que o povo fala e sente".
Castro lembra-se de ter visto poucas manifestações desse porte em Brasília, "mas elas deveriam acontecer porque tiram a capital do isolamento geográfico, e obrigam os governantes a ouvir a voz das sociedade civil". "Gostaria de ver gente na rua desse jeito pelo menos dez vezes por mês."

mockup