Brasília, 21 (AE) - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, criticou hoje a proposta do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criação de um novo imposto para financiar projetos de combate à pobreza. Castro, que já se desentendeu com o senador por causa da reforma do Judiciário, ironizou a proposta, classificando o "imposto dos pobres" de "projeto Robin Wood". "O Brasil precisa é de menos renúncia fiscal", declarou Castro, alegando que não se referia à decisão do governo em beneficiar a Ford para se instalar na Bahia.
Ele lembrou que o próprio secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, informou que as 530 maiores empresas do País não pagam impostos.
Depois de comentar que quem tem poder contributivo não paga, ele acentuou que, se corrigissem isso, "não precisava nem de mais tributo, nem de reforma tributária". Segundo o presidente da OAB, toda essa questão da renúncia fiscal precisa ser revista. As declarações de Castro foram dadas após se reunir com o presidente em exercício, Marco Maciel, a quem convidou para participar da 27ª Conferência Nacional dos Advogados, no Rio, entre 29 de agosto e 2 de setembro, cujo tema será Justiça: realidade e utopia.
Castro condenou o projeto de desarmamento do governo, considerado por ele apenas pedagógico, mas que não irá resolver a questão da violência no País. "O que resolve criminalidade é punição", advertiu ele, que concorda com as propostas do novo ministro da Justiça, José Carlos Dias, de ampliar as possibilidade de realização de aborto legal e de união entre homossexuais.
O presidente da OAB quer que o Congresso tenha "consciência e serenidade" ao escolher o novo relator da reforma do Judiciário. Ele quer que seja alguém que conheça a Justiça e não um teórico. O ex-relator da proposta de reforma do Judiciário era o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), agora nomeado secretário-geral da Presidência da República e um dos responsáveis pela articulação política do governo. Castro e Ferreira discordaram em relação à sugestão do novo ministro, de extinção da Justiça trabalhista.

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