Araçariguama, SP, 03 (AE) - A partir de hoje os 200 mil veículos que trafegam diariamente pela Rodovia Castelo Branco, entre São Paulo e Sorocaba, estão sendo acompanhados por câmeras de TV. A velocidade dos carros, a quantidade de veículos e as condições meteorológicas, como temperatura, chuvas e alagamentos
são medidas em cada trecho e geram intervenções rápidas no tráfego. Trata-se da primeira "rodovia inteligente" do Estado, segundo a concessionária Viaoeste. O Centro de Controle Operacional da Viaoeste vai cobrir os 80 quilômetros que compreendem os primeiros 65 km da Castelo, mais 15 km da ligação com Sorocaba.
"Esses equipamentos, interligados por fibra ótica, nos permitem saber em tempo real tudo o que acontece na estrada e interferir para dar segurança ao usuário", disse o diretor de operação da Viaoeste, Pedro Rache. O sistema foi acionado oficialmente hoje pelo secretário-adjunto dos Transportes, Luiz Carlos David, e pelo presidente da Viaoeste, Ênio Cardoso Viana. As 66 câmeras, instaladas sobre torres de concreto de 15 metros de altura, resistentes ao tempo e à trepidação, são equipadas com zoom que amplia a imagem até dez vezes.
"É possível dar um close no botão da camisa do motorista", disse Rache. As câmeras operam em 360 graus e alcançam um raio de 1,5 quilômetro. Embora com menor nitidez, "enxergam" também à noite. As imagens são enviadas ao Centro de Operações, onde uma equipe da Viaoeste e do policiamento rodoviário mantém plantão permanente. "Se um carro quebra ou há um acidente, temos condições de dar atendimento em no máximo 8 ou 10 minutos", disse Rache.
O sistema melhora a segurança na rodovia, auxiliando a ação da polícia em caso de assaltos. Durante o período de testes
uma câmera captou pichadores agindo no viaduto do km 16, em Osasco. "Avisamos a polícia e eles foram detidos no ato." A "rodovia inteligente" conta ainda com 17 analisadores de tráfego e 128 telefones de emergência do tipo call boxes, de atendimento imediato, bastando acionar um botão. "Ao ser feita a chamada, nossos operadores direcionam a câmera para o local, visualizando o usuário", explicou o diretor. Segundo ele, isso só é possível porque a fibra ótica carrega simultaneamente sinais de voz, vídeo e dados, possibilitando alta velocidade de transmissão. Estão interligados ao sistema os 16 painéis de mensagem variável, oito deles móveis, instalados na rodovia.Em caso de acidente, os painéis que estão no percurso dos usuários passam a transmitir informações. "O mesmo acontece em caso de chuva e pista molhada."
A Viaoeste investiu R$ 35 milhões nessa primeira fase do sistema. Na segunda, com investimento de R$ 20 milhões, serão instalados sistemas de localização de veículos via satélite, radares e cobrança automática de pedágios. As cabines automáticas entram em operação no próximo mês. Os radares fotográficos serão instalados alternadamente em 27 pontos. A Polícia Rodoviária já atua com dois radares móveis e está recebendo outros seis, segundo o gerente de operações da Viaoeste, Odair Tafarelo.
Segundo Luís Carlos David, as concessionárias que operam outras rodovias também têm prazo para concluir projetos semelhantes de modernização. Ele disse que o cronograma inicial foi revisto, mas a maioria deve colocar os sistemas em operação este ano. "Já multamos algumas por atraso", afirmou.
Marginais - A Viaoeste vai investir R$ 180 milhões este ano no Sistema Castelo Branco - Raposo Tavares, cuja concessão assumiu em abril de 1998. Os principais investimentos, segundo o presidente Ênio Cardoso Viana, serão na construção das marginais da Castelo, entre Barueri e São Paulo, e na duplicação da Raposo
de Cotia a Araçoiaba da Serra, já iniciada. Só as marginais têm custo total de R$ 160 milhões. O trecho inicial da Castelo é um dos mais movimentados do País, com média de 11 mil veículos por hora nos dois sentidos, e enfrenta congestionamentos nos horários de pico.
As marginais, com quatro faixas em cada sentido, estarão concluidas até dezembro deste ano e devem desafogar o tráfego na rodovia. Os usuários pagarão pedágio de R$ 3,10 nos dois sentidos - ida e volta - mas terão a vantagem de ir de Alphaville ao Cebolão em oito minutos. Pela Castelo, o tempo médio gasto hoje é de 30 minutos. O motorista pode "fugir" do pedágio das marginais retornando à interligação com a rodovia em Barueri.
A Viaoeste aposta que a fuga não será significativa, em razão do ganho de tempo. O diretor Pedro Rache admitiu, no entanto, que o número de usuários da Castelo diminuiu nos últimos anos. "Nos horários em que foram contados 200 mil veículos no ano de 96, hoje estamos contando 186 mil." A principal razão da fuga, segundo ele, é o congestionamento causado pelo excesso de veículos. "Muitos passaram a usar transporte coletivo ou estão procurando caminhos alternativos."
Quando for concluída a duplicação da Raposo Tavares, parte do tráfego será absorvida por aquela estrada. A Raposo está sendo duplicada entre os quilômetros 104 e 115,5. Entre o 110 e o 115 5, as obras estão em fase final. O trecho foi o primeiro a receber licença ambiental. Entre Cotia e Sorocaba, as obras ainda dependem de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima). O custo total, descontados os contornos de Brigadeiro Tobias e São Roque, que serão feitos pelo Estado, é de R$ 284 milhões.