Cassino será reformado para abrigar museu
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Felipe Werneck<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Com a decisão judicial que impede a construção de uma unidade do Museu Guggenheim no Rio, o prefeito Cesar Maia anunciou ontem para março de 2004 o início das obras de reforma do antigo Cassino da Urca. Ele deve ser transformado no Museu do Rio, um espaço para mostrar o desenvolvimento urbano do município. Dessa vez não deve haver contestação na Justiça, porque o dinheiro não sairá dos cofres da prefeitura.
O eventual início das obras que depende de parcerias com a iniciativa privada e recursos provenientes de leis de renúncia fiscal coincide com a comemoração dos 100 anos da reforma urbanística promovida no centro do Rio pelo prefeito Francisco Pereira Passos, em 1904. Foi a maior transformação do espaço urbano carioca, com a remoção de morros, como o do Castelo, e a abertura de grandes vias, como a Avenida Central, hoje Rio Branco, inspirada nos boulevards parisienses.
A construção do prédio do Cassino da Urca foi iniciada nos anos 20, e sofreu uma série de transformações ao longo do tempo, com a criação de anexos, paredes e um terceiro andar que não existia no projeto original. ''Tudo que não é original será demolido'', disse o prefeito.
Localizado na Urca, uma península na entrada da Baía de Guanabara, tem uma arquitetura que não valoriza sua localização: janelas pequenas e muito concreto. Fica difícil ver o mar de dentro do prédio, que começa na praia, atravessa a rua que dá acesso ao bairro e chega à base do morro do Pão de Açúcar. De acordo com o prefeito, o projeto de reforma está orçado em R$ 9 milhões.
O prédio foi inaugurado como hotel-balneário. Em 1932 foi comprado pelo proprietário do Hotel Quitandinha, o empresário Joaquim Rolla, e transformado no Cassino da Urca, onde Carmem Miranda, Grande Otelo e as irmãs Linda e Dircinha Batista, entre outros, fizeram história. Com a proibição do jogo no País, em 1946, o cassino foi fechado. Cinco anos depois, o prédio passou a abrigar os programas de auditório da TV Tupi, primeira emissora a funcionar no Rio. A televisão saiu do ar em 1980. Desde então, o local estava abandonado.
Maia disse que estuda transformar um espaço do prédio em museu da televisão. A cerimônia, com a presença do prefeito e de artistas convidados, marcou a desapropriação ''amigável'' do imóvel, que foi transferido para a prefeitura.


