Curitiba - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ganhou ontem o primeiro round da batalha contra a exportação ilegal do mogno. A primeira, das oito liminares que permitem a liberação da madeira no País, foi cassada ontem, pelo juiz da 2ª Vara de Belém, Lucas Rosenda de Araújo. O pedido foi ajuizado pela Peracchi Exportadora, do Pará, estado considerado o berço da extração ilegal do mogno. O Ibama ainda tenta que a Justiça casse as outras sete liminares, seis no Pará e duas no Paraná, ajuizadas pelas empresas Laminorte e Selecta.
Trata-se de postos de fiscalização controlados via satélite e on line, que serão instalados, conforme prevê o Ibama, até o final do ano. Os recursos necessários (US$ 60 milhões) serão liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid). O objetivo é frear o tráfico da fauna e flora brasileiras.
O chefe de fiscalização do Ibama, em Brasília, José Lelandi Barroso, também garantiu ontem que o órgão vai liberar, em cerca de duas semanas, recursos para que o Ibama do Paraná possa concluir as investigações sobre a exportação do mogno no Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado. No ano passado, a regional paranaense do órgão criou uma comissão de sindicância para averiguar a saída de mogno no porto e o possível envolvimento de funcionários do Ibama no caso. As investigações foram interrompidas por falta de verbas.
A liberação dos recursos, no entanto, pode não ser a única barreira para a conclusão da sindicância. Segundo o procurador, mesmo com a liberação das verbas, a investigação pode atrasar, já que a comissão depende do resultado do exame grafotécnico feito em um bilhete enviado para a polícia. O bilhete dizia ‘‘Otto cobra R$ 1,00 por metro cúbico de mogno para não abrir fardo’’. Otto Kesseli Junior exercia, na época, a função de chefe de fiscalização do Ibama em Paranaguá.
O delegado da Polícia Federal de Paranaguá, Evaristo Kuceki, disse que o exame foi concluído, mas que a perícia pediu mais dados. ‘‘O inquérito só deve ser aberto novamente na próxima semana’’, previu o delegado. Já os laudos do novo exame grafotécnico não tem data para serem concluídos.
O mogno é uma madeira em extinção, com custo altamente valorizado no mercado. A exportação da madeira está proibida por lei desde outubro do ano passado.

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