São Paulo, 29 (AE) - O delegado Romeu Tuma Júnior recebeu com satisfação a cassação do deputado Hanna Garib. "A pizza está mofando", disse. "É uma prova que a investigação está sendo conduzida com serenidade, seriedade e baseada apenas em provas"
completou. "Esperamos que isso sirva de lição a quem faz da política uma profissão."
Tuma conduziu o inquérito que apurou as denúncias contra Garib na Administração Regional da Sé. O inquérito, concluído há cerca de dois meses, foi entregue para o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey.
O delegado Naief Saad Neto, que divide com Tuma as investigações sobre a máfia dos fiscais, também acompanhou a cassação. "Foi o resultado de uma apuração feita de forma imparcial e profissional", disse. "Pelas informações que obtive, havia indícios fortes do envolvimento de Garib no esquema de corrupção na Sé."
Com a cassação confirmada, Garib deve defender-se na Justiça sem as garantias obtidas quando foi eleito para a Assembléia Legislativa, como a imunidade parlamentar e o direito de responder a processos em foro privilegiado, no Tribunal de Justiça.
Em tese, a Polícia Civil pode até solicitar sua prisão temporária ao Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), como os demais acusados de integrar a máfia da propina.
"Como ele não é mais deputado, deve ter o mesmo tratamento de outros envolvidos", disse o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco). Há cerca de um mês, a Polícia Civil trabalha em um inquérito, instaurado a pedido do Tribunal de Justiça, para investigar supostas irregularidades cometidas por Garib quando exercia o mandato de vereador.
Ontem, ele foi ouvido pelos delegados Romeu Tuma Júnior e Maurício Correali, que conduzem o inquérito, e foi indiciado por prevaricação, peculato e formação de quadrilha. Com a solicitação para instauração de inquérito, o tribunal remeteu à polícia informações sobre a quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado. O Estado apurou que a movimentação financeira de Garib foi considerada suspeita pelos policiais.
Está sendo investigada, por exemplo, a evolução do capital social da construtora que Garib tem com o irmão, Fouad El Gorayeb, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A polícia também investigará uma conta de Garib em Miami (EUA).
O uso de equipamentos da Regional da Sé para fins particulares sustentaria o indiciamento de Garib por peculato. Em depoimento à polícia, o ex-administrador da Sé João Bento afirmou que a entrada de uma chácara de Garib no Horto Florestal teria sido asfaltada com tratores da regional e asfalto da Secretaria das Administrações Regionais (SAR). O inquérito deve ser concluído em julho.
O inquérito referente à Regional da Sé, concluído há cerca de dois meses, foi encaminhado para o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey. Um dispositivo judicial chamado prerrogativo de foro ordena que os deputados sejam denunciados apenas pelo procurador-geral e a denúncia tem de ser aceita pelo TJ.
Garib também é citado no inquérito sobre o atentado ao ambulante Afonso José da Silva, em fevereiro. Silva denunciou o ex-vereador como o principal beneficiário do esquema de propinas na Sé. O principal suspeito da tentativa de homicídio, o ambulante Bernardo Nascimento, seria ligado a Garib e está foragido.

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