Cassação de vereadores de Guarulhos é considerada difícil
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Moacir Assunção 
São Paulo, 16 (AE) - Parlamentares e integrantes de entidades da sociedade civil de Guarulhos não demonstram muita confiança na cassação dos vereadores acusados de concussão e corrupção passiva por meio das Comissões Processantes instaladas na sessão de quarta-feira da Câmara. Há o temor de que prevaleça o "espírito de corpo". Ao mesmo tempo, é grande a torcida pela ação da Justiça para punir os vereadores.
Amanhã começa a análise dos pedidos de cassação de Waldomiro Ramos e Oswaldo Celeste (ambos do PTB), Fausto Martello (PPB) e Wanderley Figueiredo (PL) . Do grupo que estudará o pedido de cassação de Ramos, fazem parte dois vereadores, Roberto Ribeiro (PTB) e Paulo Roberto Cecchinato (PTB), que estão sob investigação do Ministério Público, depois de representação do deputado estadual Elói Pietá (PT). Desse grupo, somente o vereador Edson Albertão (PT) não está sendo investigado.
Na outra comissão, que avaliará o pedido de cassação dos mandatos de Celeste, Martello e Figueiredo, estão incluídos os vereadores Cecchinato - cujo nome foi sorteado duas vezes -, Gilberto Penido (PL), também denunciado, e Gasparino Romão (PMDB), que não teve seu nome citado em denúncias.
Sorteio - Amanhã (17), quando haverá sessão extraordinária na Câmara, as comissões irão reunir-se pela primeira vez. Caso algum dos escolhidos pelo sorteio não compareça à sessão, o vereador Albertão pedirá ao presidente em exercício da Câmara, Paulo Carvalho (PL), que faça nova escolha. "Amanhã será um dia muito importante para a instalação da comissão, já que na segunda-feira se encerra o prazo", justificou Albertão. O petista afirmou ver dificuldades para a aprovação da cassação dos parlamentares com a composição das comissões.
O presidente da Associação de Defesa dos Direitos da Cidadania, Luiz Roberto Mesquita, não acredita em punição aos vereadores por conta da Câmara. "Caso haja pressão popular e da imprensa, talvez os vereadores dêem alguma resposta à população, mas somente o judiciário poderá puni-los com isenção", afirmou Mesquita.
Pessimismo - A descrença na ação da Câmara é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais de Guarulhos, Pedro Moisés Souza Pinto. "Estou muito pessimista com a possibilidade de cassação nessa Câmara, que tem 18 dos 21 parlamentares denunciados por corrupção."
Um dos 12 parlamentares denunciados na representação de Pietá, o vereador Roberto Ribeiro (PTB), afirmou que não vê nenhum impedimento de sua participação na comissão que analisará o pedido de cassação de Ramos. Apesar disso, Ribeiro deixou aberta a possibilidade de renunciar à vaga, caso haja consenso entre os demais integrantes ou suspeição fundada. "Posso até repensar a participação, se sentir um repúdio à minha atuação nesse caso."


