Cassação de Garib causa lágrimas entre presentes
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 29 (AE) - A decisão pela cassação do ex-deputado Hanna Garib causou lágrimas entre os que acompanhavam a sessão, tanto para quem era contrário à decisão da Assembléia, quanto para alguns favoráveis ao resultado.
Os motivos entretanto, eram diversos. "Estou mesmo emocionado", admitiu o funcionário público José de Matos, de 40 anos. "Depois dessa, dá até para acreditar que o País melhora, eu me sinto orgulhoso e vitorioso", comemorou.
Alessandra Cabral, que também estava no plenário, deixou o local quando foi anunciado o 48º voto pela cassação do ex-deputado. Ela também chorava. "Estou indignada", desabafou. "Acho que as pessoas deveriam ter mais dignidade para ouvir a defesa do deputado; não se pode condenar e punir uma pessoa sem provas", afirmou. Ela negou-se a dizer se tinha algum grau de parentesco ou amizade com Garib.
O vereador Wadih Mutran (PPB) acompanhou, de pé, a maior parte da votação. "Vim conversar com políticos para me orientar porque provavelmente outros vereadores serão cassados na Câmara", afirmou.
"Todos os que agiram errado devem ser punidos", disse. Quando um grupo de manifestantes gritou: "Wadih Mutreta", no fim da sessão, o vereador que participou da CPI que investigou irregularidades na Prefeitura de São Paulo não estava mais presente. O vereador Dalton Silvano (PSDB) também acompanhou a sessão. "Esse resultado é a prova de que São Paulo já não suporta esquemas de arrecadação de propinas", disse.
No início da apuração, o anúncio dos votos pela cassação foram acompanhados com pouco entusiasmo. Apenas algumas palmas. Aos poucos, a animação foi crescendo. Já no 35º voto, duas mulheres, sentadas com o grupo que defendia Garib, enxugavam lágrimas.
Nenhuma delas quis dizer o nome. No 48º voto, várias pessoas já agitavam bandeiras do PT e PSDB e gritavam palavras de ordem contra Garib. Antes do fim da votação, enquanto alguns comemoravam cantando: "O dia já vai raiando e o Garib já vai embora", os partidários do ex-deputado deixaram o plenário.
A dona de casa Maria Lúcia Queiroz de Souza aproveitou as bandeiras do Brasil que havia comprado para os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo e fantasiou os filhos, João Wilker, de 6 anos e Jeniffer Vívian, de 4 e os levou ao plenário. Nas mãos, ela agitava um boneco Seninha. "Quero ensinar aos meus filhos o valor da honestidade", disse. "Eles já comemoram a vitória como gente grande."


