Casos ultrapassam barreira dos 400
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Dimitri do Valle 
Os agentes de saúde registraram ontem mais 21 casos de cólera em Paranaguá. Com o novo número, já são 427 pessoas infectadas, das quais uma em Pontal do Paraná e outra em Guaraqueçaba. Nos dois casos, a contaminação se deu em Paranaguá. O número oficial de mortos permanece em três. A Secretaria da Saúde informou ainda que 151 exames de casos suspeitos foram analisados em laboratório e destes, 130 deram negativo. A campanha de combate à doença, que adotou o eslogam Fora Cólera em camisetas distribuídas a voluntários, continua fazendo varredura em casas e comércio do município.
Em Curitiba, a Secretaria Municipal da Saúde informou que testes de laboratório descartaram a presença do vibrião colérico em 59 dos 72 casos suspeitos de cólera. A presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Maria das Graças da Mota Silveira Sasaki, alerta que é preciso manter os cuidados para evitar que a epidemia se prolifere ainda mais. Ela também não descarta que Curitiba possa registrar casos da doença, em função da proximidade com Paranaguá.
Maria das Graças Sasaki acredita que se Paranaguá dispusesse de um sistema de saneamento básico adequado, cerca de 80% da população estaria protegida e o vibrião dificilmente teria condições de se desenvolver. Os governantes deveriam ter uma melhor atenção para a questão de saneamento básico de um município que gera muitas divisas para o Estado, afirma. A médica infectologista trabalhou em Paranaguá por 17 anos.
Entre os anos de 1983 e 84, Paranaguá foi acometida por um surto de hepatite A que deixou aproximadamente 1500 pessoas doentes. Segundo Maria das Graças Sasaki, à época, a má qualidade da água consumida na cidade foi apontada como a causa do aparecimento da doença. Além de qualidade nos serviços de infra-estrutura, a médica acha que a própria população deve fazer a sua parte, lavando verduras e cozinhando bem os alimentos, principalmente os peixes. Numa temperatura de 70 graus centígrados, o vibrião não sobrevive, ensina ela.
Apesar das campanhas maciças de informação, Maria das Graças Sasaki sustenta que Curitiba ainda pode registrar casos de cólera. Ela argumenta que a proximidade com Paranaguá mantém este risco. Outro fator são as regiões urbanas que não dispõem de qualquer infra-estrutura. Mas a maior probabilidade de encontrar o vírus na capital está nas pessoas que carregam o vibrião, mas não apresentam os sintomas da cólera. Eles são conhecidos como portadores assintomáticos.
As medidas de controle não podem ser relaxadas por causa dos assintomáticos, observa. Maria das Graças lembra que a chegada do inverno é uma temporada adequada para que o vibrião continue na Baía de Paranaguá. De acordo com a médica, o vibrião gosta de água fria. Para ela, a meta principal a ser alcançada pelas secretarias é executar ações para impedir que o vibrião permaneça na baía.
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