Casos suspeitos de febre amarela avançam em MG
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
O número de casos suspeitos de febre amarela silvestre saltou de 23 para 48 em Minas Gerais. Ao todo, 15 cidades estão em alerta para evitar a proliferação do vírus. Exames laboratoriais de 16 pacientes já apresentaram resultados positivos para febre amarela silvestre, transmitida em áreas rurais. No entanto, o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Rodrigo Said, ainda aguarda a análise da situação epidemiológica das famílias e outras informações dos pacientes para confirmar os casos. Em entrevista coletiva no início da semana, ele destacou que o histórico de vacinação e o deslocamento dos pacientes infectados estão entre os itens a serem analisados pela equipe.
No Paraná, não há casos registrados da doença, mas a coordenadoria do Programa Estadual de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde reforça que a imunização é importante especialmente no período de férias. A pasta garante que há doses da vacina disponíveis em todas as regiões.
Em Minas Gerais, pelo menos 14 pessoas morreram em decorrência de febre hemorrágica aguda. Os casos suspeitos são investigados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) como sendo de febre amarela, dengue, leptospirose ou febre maculosa. Mesmo antes da confirmação oficial, o governo de Minas Gerais intensificou a vacinação contra a febre amarela. De acordo com a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, os pacientes desenvolveram sintomas a partir de dezembro do ano passado.
Os mosquitos Haemagogus e Sabethes são os principais vetores da transmissão da febre amarela em áreas florestais. Conforme o Ministério da Saúde, nove casos de febre amarela silvestre foram notificados em 2015, cinco deles ocasionaram a morte dos pacientes. No ano passado, seis casos da doença foram confirmados, três deles em Goiás, dois em São Paulo e um no Amazonas. Ao todo, cinco pessoas morreram.
Na área urbana, os últimos casos de febre amarela foram registrados em 1942, no Acre. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, também é o responsável pela transmissão da febre amarela. Preocupado com a proliferação do vírus no País, o governo federal orienta que a população esteja em dia com a vacina contra a febre amarela. Mais de 285 mil doses foram encaminhadas a Minas Gerais nesta terça (10) e outras 450 mil serão repassadas ao governo nesta quinta-feira (12).
O coordenador do Programa Estadual de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, João Luis Crivellaro, explica que são necessárias duas doses da vacina. "É preciso tomar uma dose aos 9 meses de idade e outra aos 4 anos. Se a pessoa tiver mais de 5 anos ou desconhecer o antecedente vacinal, é preciso tomar a primeira dose e agendar a segunda dose para daqui a dez anos", ressalta. Segundo ele, não há mais a necessidade de reforçar a imunização a cada dez anos. O Ministério da Saúde recomenda avaliação médica antes da aplicação das doses em idosos que nunca foram imunizados. O mesmo procedimento deve ser adotado em pacientes que apresentam imunodeficiência.
Apenas 36 municípios pertencentes a 1ª Regional de Saúde de Paranaguá e a 2ª Regional de Saúde de Curitiba são considerados como áreas livres do risco de circulação do vírus da febre amarela. Nas demais regiões do Paraná, a vacinação é obrigatória. "Toda a parte litorânea do Brasil é considerada área livre de circulação do vírus. No Paraná temos doses em todas as 2.200 salas de vacina espalhadas pelo Estado, mas nem todas as unidade acabam aplicando as doses porque temos muita perda. Cada frasco contém cinco doses e temos um controle para evitar o desperdício", afirma.
A assessora da Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Sandra Caldeira, destaca que a população deve manter a vacinação em dia também em relação às demais doenças. A orientação é válida mesmo para quem não tem viagens programadas para as próximas semanas. "Nesse período de férias temos essa preocupação a mais. As pessoas podem ir a algum local e retornar com as doenças", ressalta. Nos casos de febre amarela, aproximadamente 40% dos pacientes não resistem à infecção pelo vírus. Entre os sintomas da doença estão calafrios, febres, dores de cabeça, dores no corpo, náusea e vômito. Em Londrina, a imunização está disponível em todas as unidades básicas de saúde.(Com Agência Estado)


