Casos se multiplicam e espantam autoridades
São Paulo, 18 (AE-AP) - A confirmação de uso de nandrolona pela atleta jamaicana Merlene Ottey foi apenas mais um dos casos de doping comprovados este ano. Os mais escandalosos vieram à tona na primeira quinzena de agosto, com os resultados positivos do velocista inglês Lindford Christie, campeão olímpico dos 100 metros rasos em Barcelona, e do cubano Javier Sotomayor, recordista mundial do salto em altura. Nenhum deles participará do Mundial de Sevilha.
A comprovação do doping de Christie, de 39 anos, saiu no último dia 5. O atleta havia participado do meeting de atletismo em pista coberta em Dortmund, na Alemanha em fevereiro, após mais de um ano sem correr.
Sotomayor foi flagrado no Pan-Americano de Winnipeg por uso de cocaína. Segundo os médicos da competição, o atleta teria utilizado a droga no Canadá, já que a substância desaparece do sangue cinco dias depois do consumo. O cubano alega inocência.
Boa desculpa - Outro atleta que não vai disputar o Mundial de Sevilha por ter sido suspenso por uso de substâncias proibidas é o norte-americano Dennis Mitchell, de 33 anos, bronze nos 100 metros rasos na Olimpíada de Barcelona. Mitchell foi pego com alto índice de testosterona no dia 1.º de abril de 1998. Conseguiu ser absolvido em dezembro, mas no último dia 4 foi novamente punido pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). O corredor disse que a substância foi encontrada em seu organismo porque ele teria passado horas em companhia de uma mulher, com quem tomou cinco cervejas.
O corredor canadense Ben Johnson, proibido de participar de competições oficiais por uso de anabolizantes, entrou com novo pedido de anulação da punição. Johnson foi responsável pelo maior escândalo no atletismo em 1988, quando teve a medalha de ouro dos 100 metros da Olimpíada de Seul cassada pela comissão antidoping. O pedido do canadense foi negado pelo conselho da IAAF.
Na natação, um escândalo também abalou as autoridades mundiais do esporte. No dia 9, a Federação Internacional suspendeu seis nadadores por doping. Um deles, o chinês Xiong Guoming, havia conquistado o título de campeão dos Jogos Asiáticos nos 200 metros, medley. David Meca, da Espanha, e Igor Majcen, da Eslovênia, respectivamente, primeiro e terceiro colocados da Maratona Ocêanica de Atlantic City, também foram suspensos.
Alguns brasileiros também foram envolvidos com doping em 1999. Em março, o maratonista André Luiz Ramos, quarto colocado na Maratona de Boston, foi flagrado com a substância norandrosterona. Em Montevidéu, durante a Volta da França, o ciclista Maxwell Rocha foi suspenso pelas Federações Brasileira e Uruguaia de Ciclismo por ter utilizado efedrina.
No futebol, três casos foram comprovados. No início do ano, o lateral da Internacional de Limeira, Jura, foi suspenso por 120 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva por uso de maconha. Durante a disputa da Copa do Brasil, Scheidt, do Grêmio, e Clébson, da Bahia, foram pegos pelo exame antidoping.





