Londrina - Dados oficiais da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina mostram que o número de atendimentos hospitalares ligados ao consumo excessivo de álcool e drogas se multiplicou por seis entre 2007 e 2011. Em 2007, 22 pessoas foram atendidos com o problema pelo sistema de saúde da cidade. Em 2011, o número saltou para 131 atendimentos. Os dados estão à disposição do público no Perfil Epidemiológico, cujo link está no site da Secretaria Municipal de Saúde.

O Perfil Epidemiológico é uma compilação de dados abastecidos por todas as unidades de atendimento e enviados ao Ministério da Saúde para orientar a formulação de políticas públicas do setor.

O mesmo documento informa os casos por intoxicação por faixa etária e revela que os adolescentes são cerca de 30% das vítimas atendidas. Dos 37 casos registrados em 2010, 11 eram garotos de 15 a 19 anos. Entre os intoxicados por drogas, 83% é do sexo masculino. A faixa predominante é a composta por jovens de 20 a 29 anos, com 19 casos, ou 51% do total. A participação das mulheres entre os intoxicados também é crescente: passou de 16,4% em 2010 contra 25,6% em 2011. O estudo ainda não inclui os números de 2012, que ainda estão sendo tabulados.

De acordo com o médico Sérgio Canavese, diretor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), na maior parte das intoxicações há
ingestão combinada de álcool e drogas, especialmente crack e cocaína.

A FOLHA apurou que o número de overdoses pode ser ainda maior, conforme revelou uma fonte do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) do Hospital Universitário, núcleo responsável pela coleta de dados da rede de atendimento e do acompanhamento dos casos. "O sistema não é perfeito, ainda há muitas ocorrências que não são informadas", diz. A mesma fonte do CIT confirmou que o tipo de intoxicação mais comum é a combinação de álcool e crack ou cocaína.

Alisson Fernando Moreira Poças, conselheiro tutelar da zona norte, disse à reportagem que o único meio de enfrentar o problema dos abusos dos adolescentes no consumo de álcool e drogas é a prevenção. Ele considera importante uma conscientização sobre o risco do consumo de drogas ilícitas e do álcool, uma tarefa que deve ser feita em três frentes, na família, na sociedade e no Estado.

"A família não pode fugir à responsabilidade, tentar terceirizar a educação dos filhos. Tem que ficar atenta, dialogar com os adolescentes, saber sobre os seus hábitos, onde está, com quem anda. A sociedade tem que fiscalizar a atuação do poder público, exigir que seja feita a fiscalização da lei que proíbe a venda de álcool para crianças e adolescentes. E o Estado tem de punir quem transgride a lei, multar, fechar estabelecimentos", avalia.

Poças também enxerga uma tolerância do poder público em relação a outras proibições, como as que impedem o funcionamento de bares próximos a escolas. "O adolescente não pode ser considerado o único culpado. Quem vende a bebida e a droga deve ser o primeiro a ser punido", sugere.

O conselheiro diz que o maior número de denúncias de abusos por adolescentes ocorrem nos finais de semana, em festas de república e em casas noturnas, e nas férias.

Léia Pereira, gerente da Vigilância Epidemiológica, compartilha da mesma ideia e acredita que a prevenção seja a melhor forma de reduzir a epidemia de overdoses. "A fiscalização deve ser mais profunda entre os mais jovens, impedi-los de ter acesso à bebida alcoólica, que induz os comportamentos que resultam na intoxicação", recomenda.

Angela Lima, diretora dos Serviços Complementares de Saúde, responsável pela coordenação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), porta de entrada para os tratamentos de combate à dependência do sistema público de saúde, afirma que o número de pais e familiares em busca de ajuda é crescente. "Ou o consumo se intensificou muito ou está havendo uma conscientização maior de que a saúde pública pode ajudar pessoas nesta situação". Ela estima que existam entre 25 mil e 30 mil dependentes de drogas e álcool na cidade. "Ainda há muitas pessoas que não são atendidas", admite.

Imagem ilustrativa da imagem Casos graves de intoxicação por drogas crescem 595% em Londrina



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- Para setores da Saúde, casos são subnotificados

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