Londrina - Quatro jovens caminham pelo Calçadão de Londrina. Um deles deixa os companheiros e investe contra um banco. Na primeira tentativa o banco balança, na segunda ele cai. As câmeras da Guarda Municipal flagraram a ação de vandalismo na noite de terça-feira, por volta das 23h40. Pouco tempo depois, o jovem foi preso.
O que leva alguém a destruir o patrimônio público? É difícil saber, mas a prática de vandalismo aumentou neste ano no Paraná. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), relacionados ao primeiro trimestre deste ano, houve um crescimento de 5% de registros de vandalismo no Estado em comparação ao mesmo período de 2011. Foram registrados 10.973 casos de danos ao patrimônio no território paranaense este ano, contra 10.418 no ano passado. A média é de 5 registros de vandalismo a cada hora no Estado.
Na 19 e 20 Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) - que abrangem Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas e outros 17 municípios - foram registrados 534 casos de danos ao patrimônio no primeiro trimestre deste ano. Houve um crescimento de 4% comparado a 2011, quando aconteceram 513 registros.
De acordo com o diretor da Guarda Municipal, Rafael Sampaio, a corporação tem registrado poucos casos de vandalismo em áreas públicas. ''Teve muitos casos em cemitérios, mas agora estamos atuando no Jardim da Saudade (Norte) e no São Pedro (Centro), com dois guardas em cada um durante horário de funcionamento'', explicou.
De acordo com o coordenador do Cemitério Jardim da Saudade, após a presença dos guardas, a quantidade de atos de vandalismo praticamente zerou. Isso não quer dizer que os problemas desapareceram. A reportagem conversou ontem com o desempregado Joel Alves Farias, que neste mês teve as mudas de flor que comprou para o túmulo da esposa furtadas duas vezes. ''É o cúmulo da sacanagem alguém levar flor de um túmulo'', criticou.
No Cemitério Padre Anchieta, na Zona Leste, não há guardas e não são apenas flores que são levadas. Um funcionário que preferiu não se identificar comentou que praticamente tudo que tem algum valor é alvo de vândalos e de ladrões. ''Vaso de bronze, crucifixo, imagens'', afirmou.
Empresas como a Sercomtel e a Sanepar também são visadas por ladrões e vândalos. Dos 3.904 telefones públicos de Londrina, 142 foram danificados até abril - um prejuízo de R$ 11 mil. Já a Sanepar acumulou prejuízo de R$ 22 mil nos três primeiros meses do ano por conta de danos ou furtos, principalmente de hidrômetros.
A consequência mais visível do problema é que a ação dos vândalos costumam afastar quem tem o hábito de frequentar determinadas áreas públicas. Um exemplo é a Praça Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (Área Central). ''Era um lugar tão bonito e poderia estar à disposição da população'', lamentou o servidor público Ghetter de Oliveira Silva. Hoje, o cenário é de abandono. Pichações e lixo espalhados podem ser encontrados por todo lado. ''Tinha peixes no laguinho. Seria bom se as pessoas preservassem. Tem tanta coisa bonita e não se preserva'', lamentou.

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