Outro caso muito comum de atendimento no hospital Porta da Esperança é de envenenamento. É que a prática de suicídio tornou-se comum entre os indígenas da região e só este ano o hospital já atendeu 30 casos de envenenamento e sete de enforcamento.
Os suicidas procuram frascos de agrotóxicos jogados nas fazendas e consomem o líquido restante. ‘‘Geralmente acontece com os índios que não conhecem Jesus e não vêm mais sentido na vida’’, diz a índia missionária Renata Castelão Ricardo.
Segundo ela, a maior incidência de suicídios é entre as mulheres. ‘‘Os índios homens têm deixado a família para trabalhar nas lavouras, por contrato temporário, e deixam as mulheres com os filhos praticamente sem terem o que comer’’, explica. Durante a ausência dos homens, acrescenta Renata, há muita promiscuidade. Os índios retornam e gastam o dinheiro que ganharam na lavoura principalmente com bebidas.
Quando são abandonadas as mulheres são atendidas pela Missão Caiuá, conforme a missionária Marluci Martins, de Caarapó (MS). As crianças são assistidas na área de educação.
‘‘Na escola primária as aulas são ministradas em Guarani, mas a escrita as mães preferem que seja em português. Elas alegam que os filhos têm mais facilidade quando chegam no ginásio’’, explica a missionária. Ela dirige a Escola Lóide Bonfim, com 180 alunos de 1ª à 4ª séries. Segundo a diretora, apesar de precária, a escola tem todo o material didático essencial para aprendizagem. ‘‘E o que é mais importante, adaptado para a cultura indígena e na língua de origem’’.

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