Casos de meningite viral em Campinas chegam a 100
Casos de meningite viral em Campinas chegam a 10018/Mar, 11:58 Por Clayton Levy Campinas, SP, 18 (AE) - Subiu para cem o número de casos de meningite viral registrados na região de Campinas, no interior de São Paulo, esse ano, segundo balanço preliminar da Divisão Regional de Saúde (DIR). Até o dia 9, o órgão, ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, havia constatado 80 casos da doença em janeiro e fevereiro, o que corresponde a um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 1999. As autoridades de saúde investigam se o avanço da meningite está relacionado à vacinação em massa contra a febre amarela, realizada em fevereiro e março. Dos cem casos registrados até agora, 29 são de Campinas. "Existe uma evidente relação temporal entre a doença e a vacinação", disse o diretor da DIR, Marcelo de Carvalho Ramos. Segundo ele, vários lotes da vacina usada na região de Campinas foram enviados para o Laboratório Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, responsável pela produção das doses. "Pedimos ao laboratório para fazer uma nova checagem nas vacinas", disse. Embora afirme que a nova checagem corresponda apenas a uma "medida de segurança", Ramos diz que não está descartada a possibilidade de o aumento nos casos de meningite estar relacionado a um efeito colateral inesperado da vacinação. "Como as doses são produzidas com o vírus vivo enfraquecido, há sempre o risco de a toxidade viral ter ficado acima do normal", explica. Além de examinar as vacinas, a DIR também enviou para o Laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo, material colhido dos pacientes com meningite. Se as amostras revelarem a presença do vírus da febre amarela, será mais um indício de que os casos de meningite estariam relacionados à vacina. Os resultados, segundo Ramos, deverão ficar prontos em vinte dias. De acordo com Ramos, o aumento de 20% nos casos de meningite viral não é suficiente para afirmar a existência de um surto na região. Segundo ele, esse quadro só é caracterizado quando o aumento inesperado da doença é causado pelo mesmo agente. "Só depois de identificarmos o vírus, poderemos confirmar a existência ou não de um surto", explica. Esta não é a primeira vez que as autoridades de saúde investigam vacinas usadas em campanha de massa na cidade. Em 1996, uma vacinação contra meningite provocou reações inesperadas em milhares de pacientes. Na época, os exames revelaram que as doses, produzidas pelo Laboratório Biomanguinhos apresentavam um índice de toxidade dez vezes maior que o indicado. No caso da vacina contra a febre amarela, as suspeitas começaram a surgir depois da morte da costureira Kate Cristina Ramos, de 22 anos, ocorrida no dia 27, cinco dias depois de receber a dose. Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram que a morte foi causada pela vacina. Kate, que morava em Americana (SP), começou a passar mal no mesmo dia em que recebeu a vacina num dos postos de saúde da rede municipal. O caso da costureira obrigou a Secretaria de Saúde do Estado a suspender a vacinação contra a febre amarela nos 42 municípios da região de Campinas. Na terça-feira (14), surgiu a suspeita de que a vacina pode ter provocado mais uma morte em Americana. O aposentado Luiz da Silva, de 74 anos, começou a passal mal seis dias depois de imunizado e morreu de infecção generalizada. O Instituto Adolfo Lutz está realizando exames para esclarecer o caso.





