Londrina - Médicos e laboratórios que fizerem exames de detecção do vírus HIV serão obrigados a repassar os dados do paciente, em caso de resultado positivo, ao Ministério da Saúde. Atualmente a aids está incluída na lista de 45 doenças com notificação obrigatória no ministério, mas o vírus HIV não. A portaria que atualiza a lista de notificações compulsórias deverá ser publicada ainda este mês pela Secretaria de Vigilância em Saúde.
No caso do HIV, o objetivo é conhecer precocemente o status sorológico do paciente e, se for o caso, iniciar o tratamento mais rapidamente. Embora o Brasil tenha hoje 217 mil pessoas em tratamento antirretroviral, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que outras 150 mil não saibam que têm o vírus da aids.
''Essa medida traz dois benefícios, um individual e um coletivo. A pessoa que toma remédio mais cedo não vai desenvolver a aids. O outro ponto positivo é que quando o paciente começa a tomar o medicamento, a carga viral é diminuída até que fique indetectável. Assim, você quebra a cadeia de transmissão da doença'', explicou o coordenador da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do ministério, Gerson Fernando Mendes.
O enfermeiro do Ambulatório de Referência de DST/Aids de Londrina, Luiz Toshio Ueda, acredita que com esta noticação obrigatória vai ser possível saber o número total de pessoas infectadas no País. ''Aumentam as possibilidades de se chegar a um número real e também vai permitir que os casos atendidos na rede privada também cheguem ao conhecimento da Ministério da Saúde'', relatou Ueda.
A inclusão dos casos de HIV no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) habilita e amplia a responsabilidade dos serviços de saúde para qualificar a adesão ao tratamento da doença e reduzir a mortalidade precoce por aids.
''Desta forma podemos promover o cuidado e o autocuidado dos pacientes, controlar a carga viral, reduzir a transmissão do vírus para o parceiro sexual e também cuidar das pessoas que vivem com o paciente. A aids não tem cura, mas tem tratamento e se for bem feito os pacientes não vão morrer de aids'', ressaltou Elisete Ribeiro, coordenadora da Divisão DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde.(L.F.C., com Com Agência Brasil)

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