Casos de gripe A estão fora da vacinação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de junho de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Dos 36 casos de Gripe A registrados neste ano no Paraná, 83% - 30 pessoas - estão fora da faixa de vacinação estipulada pelo Ministério da Saúde. O homem de 41 anos que morreu em Astorga (Norte) por causa do vírus também não fazia parte do grupo prioritário que é alvo da campanha: idosos (com 60 anos ou mais), gestantes, crianças (de seis meses a menos de dois anos), indígenas e trabalhadores de unidades de saúde que fazem atendimento a casos de influenza.
A infectologista do setor de doenças transmissíveis do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Jaqueline Capobianco, afirma que é ''lógico que pessoas de risco (que são público da campanha) têm mais chances de complicação, mas as demais também estão sujeitas. O ideal seria que todos fossem vacinados. Mas uma vez que a saúde pública não oferece, a pessoa (que não está no grupo delimitado pelo Ministério da Saúde) deve procurar (a vacina em clínicas particulares)''.
Mesmo que o Ministério da Saúde não ofereça vacina para toda população, Jaqueline afirma que o País''tem um plano excelente de vacinação''. ''Nenhum país no mundo consegue oferecer todas as vacinas para toda população'', comentou.
O Brasil tem outro diferencial. Nem o grupo prioritário consegue ser imunizado. Ontem se encerraria a campanha, que já foi prorrogada duas vezes, devido à baixa procura pela vacina. No entanto, o País ainda não atingiu o mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 80%. Até ontem havia alcançado 79%.
Conforme o Programa Nacional de Imunizações (PNI), 59 municípios no Paraná ainda não atingiram 80% no público total. Quando o montante é divido por grupos de idosos e gestantes, por exemplo, o número de cidades que não atingiram a meta de vacinação é ainda maior.
O Paraná, que registra 85% de cobertura do público total (1,4 milhão de pessoas), ainda não atingiu 80% de vacinação entre gestantes. Até ontem 73% das grávidas haviam sido imunizadas. Londrina, por exemplo, vacinou apenas 58% das gestantes.
Conforme o superintendente estadual de Vigilância em Sa© úde, Sezifredo Paz, os municípios que ainda não atingiram a meta devem continuar vacinando ''até atingir o mínimo necessário para cada grupo''. A médica Jaqueline defende que as vacinas sejam liberadas para qualquer pessoa que procurar os postos de saúde.
Sobre a situação de Londrina, a diretora epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Caldeira, comentou que o início da campanha em maio foi um dos motivos para a baixa procura. ''A população confunde resfriado com gripe. E como em maio teve dias de frio, muita gente teve resfriado e nem procurou a vacina.'' O indíce de cobertura no público total na cidade foi de 81%.
Houve um aumento no número de casos de gripe A este ano. No ano passado apenas dois casos foram confirmados, enquanto neste ano já são 36. Para Paz, este crescimento ''nos coloca em alerta, mas ainda não estamos falando de uma epidemia''. Ele destacou ainda que medidas simples podem evitar a transmissão de gripes e resfriados. ''Lavar bem as mãos com água e sabão sempre que tocar as superfícies e cobrir a boca, evitar aglomerações''.
O vírus influenza A (H1N1) foi identificado no Paraná pela primeira vez em 2009. No mesmo ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou o início da pandemia, que só terminou em agosto de 2010. Em 2009, foram registrados 79.958 casos, com 338 mortes. No ano seguinte, foram 1.607 casos, com 19 mortes. No ano passado foram confirmados apenas dois casos de gripe A e nenhuma morte.


